Mantega alerta sobre reação do Brasil à ‘guerra comercial’ em curso no mundo

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Publicado segunda-feira, 10 de janeiro de 2011 as 11:05, por: cdb
Ministro Guido Mantega
Mantega reage à 'guerra cambial'

O Brasil está pronto para tomar novas medidas para conter a alta do real, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, no domingo, alertando sobre uma “guerra comercial” se os governos continuarem derrubando suas moedas para impulsionar as exportações.

– Essa guerra cambial está se transformando em uma guerra comercial. Temos uma excelente relação comercial com a China… Mas existem alguns problemas já que a China é um grande competidor em bens manufaturados… Claro que gostaríamos de ver uma valorização do yuan – afirmou ele em entrevista ao Financial Times, publicada no site do jornal, na noite passada.

Mantega também disse que o governo vai mirar os mercados futuros para conter a alta do real.

– Você pode esperar mais medidas no mercado futuro – adiantou.

Segundo ele, a balança comercial brasileira com os Estados Unidos mudou de um superavit anual de cerca de US$ 15 bilhões (R$ 25 bilhões) para um deficit de US$ 6 bilhões (R$ 10 bilhões) por causa dos esforços norte-americanos para reativar sua economia mantendo uma quantidade maior de dinheiro em circulação, provocando a desvalorização do dólar e o aumento da competitividade dos seus produtos de exportação.

– A taxa de câmbio é um dos principais motores da política econômica, ainda mais do que a produtividade – disse.

Para ele, a moeda “subvalorizada” da China também está distorcendo o comércio global.

Guerra anunciada

Mantega vem adotando novas medidas para frear a alta do real desde outubro do ano passado, ainda na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas avalia a reação do mercado de câmbio, que até agora não se estabilizou, após cada uma das ações já adotadas. Mantega disse estar “particularmente atento” ao mercado futuro de câmbio e citou, como possíveis ações, a limitação de exposição a risco dos investidores.

– Temos que observar, não vamos nos precipitar, para ver se não dá uma acalmada. Se não (acalmar), tomaremos mais medidas –, disse o ministro.

Segundo o ministro, o mercado futuro gera mais preocupações pelo elevado grau de alavancagem das operações.

– O cidadão vem com US$ 100 milhões e faz operação de 1 bilhão. Você pode limitar exposição a risco, limitar alavancagem das empresas, você tem vários outros mecanismos que podem atuar no mercado futuro – disse, na época, sem que ainda a medida tenha sido adotada.

Desde o ano passado, o governo já dobrou a taxação sobre investimentos estrangeiros em renda fixa e, como esforço para conter a valorização do real, elevou o volume de dólares que o Tesouro pode comprar no mercado para saldar vencimentos futuros de dívida.

– Eu acredito que a principal razão que nós tivemos para essa valorização dos últimos dias foi uma forte entrada de dólares que houve no mês de setembro por causa da Petrobras –, afirmou o ministro em referência à operação de capitalização da estatal.

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