Manifestantes protestam contra transposição do Velho Chico

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Publicado terça-feira, 13 de março de 2007 as 13:00, por: cdb

Cerca de 500 pessoas estão reunidas no acampamento Pela Vida do Rio São Francisco e do Nordeste Contra a Transposição, em Brasília. Representantes de movimentos sociais e de comunidades da bacia vieram à capital pedir a revitalização do rio e o fim do projeto de transposição do governo federal que desviará rios para interligar bacias do nordeste.

– O projeto de transposição não pode ser feito. Ele é contra o próprio objetivo de levar a água e resolver déficit hídrico do nordeste brasileiro – disse o sociólogo Rubem Siqueira do projeto Articulação do São Francisco Vivo.

Siqueira afirma que há propostas alternativas para abastecimento e distribuição de água na região. Algumas foram apresentadas pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pela Articulação do Semi-Árido (ASA), entidade que reúne organizações da sociedade em defesa e promoção do desenvolvimento da região.

– Para a zona rural, temos as alternativas da ASA. Mais de 40 atividades de tecnologia social simples e econômicas que descentralizam o acesso à terra e à água – disse.

As obras recuperação do rio poderiam ser realizadas com R$ 3,5 bilhões, segundo Siqueira. O valor é metade do dinheiro previsto para a transposição orçada em R$ 6,6 bilhões.

– A transposição fará ainda com que os moradores da região paguem mais caro pela água -afirma o sociólogo.

Siqueira afirma que o projeto de transposição prevê reajuste do preço da água. Segundo ele, os moradores de Petrolina, em Pernambuco, que pagam hoje R$ 0,02 pela água, passariam a desembolsar R$ 0,11.

Índios protestam

Marcus Sabaru é cacique da etnia Tingui Boto. Ele é um dos cerca de 200 milhões de pessoas que moram na bacia do rio. Para ele, o projeto de transposição vai afetar o modo de vida das comunidades.

– O rio é mais que uma extensão, um espaço geográfico. Ele é o indígena, os quilombolas, as rendeiras, os pescadores, os ribeirinhos. É toda uma cultura – afirmou.

O sociólogo Rubem Siqueira, o cacique Marcus Sabaru e os outros 500 manifestantes vão ficar em Brasília até esta sexta-feira. Eles devem participar de reuniões com os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Estão marcadas para esta quarta-feira reuniões com a ministra Marina Silva do Meio Ambiente e uma audiência com representantes do Ministério Público Federal. Também está previsto para quinta-feira um encontro com a comissão de meio-ambiente da Câmara dos Deputados.