Manifestantes ignoram toque de recolher e mantêm protestos

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Publicado quarta-feira, 9 de novembro de 2005 as 09:34, por: cdb

Os jovens manifestantes que, há 13 noites, aterrorizam as ruas dos subúrbios nas principais cidades francesas, ignoraram as leis de emergência impostas pelo governo, lançaram coquetéis Molotov contra a polícia e queimaram carros na madrugada desta quarta-feira. A polícia contabilizou 573 veículos incendiados durante a noite, em comparação a 860 na véspera. Uma autoridade afirmou que os incidentes foram esporádicos.

O primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, adotou uma lei de 1955 sobre estados de emergência em uma tentativa de acabar com os tumultos, que envolvem jovens brancos e de origem árabe ou africana protestando contra racismo e desemprego. Diversas cidades adotaram um toque de recolher a partir da meia-noite. A violência pressiona Villepin e o presidente Jacques Chirac, e os temores de que ela se espalhe para outros países europeus já derrubaram o valor do euro.

Autoridades francesas estão preocupadas que os investimentos e o turismo também serão afetados. Na Alemanha, a polícia disse na quarta-feira que uma série de carros foi queimada nas cidades de Berlim e Colônia. O ministro do Interior francês, Nicolas Sarkozy, visitou a cidade de Toulose, onde jovens jogaram coquetéis Molotov na polícia, e afirmou que “muitas pessoas nesses bairros sofrem, mas que nada pode justificar tal violência cega”.

Villepin adiantou que 1.500 policiais serão chamados para ajudar os 8.000 já mobilizados para as áreas atingidas pela violência, vista como a mais séria no país desde os protestos de 1968. Pela lei de 1955, o governo deu a autoridades regionais o poder de impor toques de recolher e autorizar buscas noturnas ou diurnas sem uma ordem judicial.