Manifestantes argentinos saqueiam empresas petroleiras em protesto

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Publicado sexta-feira, 21 de novembro de 2003 as 12:33, por: cdb

Um grupo de mais de 100 pessoas causou danos significativos em duas sedes de empresas petroleiras no norte da Argentina, em protesto pela detenção de membros de um movimento de desempregados que bloqueavam o acesso a uma refinaria.

Os prejuízos causados chegam a 1,5 milhão de dólares, informou hoje, sexta-feira, o jornal El Tribuno, de Salta, capital da província à qual pertence General Mosconi, cerca de 1.800 quilômetros de Buenos Aires, cidade na qual os incidentes foram registrados.

Previamente, em outra cidade da zona, sete pessoas haviam sido detidas numa operação policial realizada por ordem da Justiça para abrir os acessos a uma refinaria da empresa Refinor, cercada pelos manifestantes há mais de dez dias.

As empresas atacadas foram a Tecpetrol e a Refinor, sendo a primeira propriedade do grupo argentino-italiano Techint e a segunda, pertencente à Repsol YPF (50 por cento), Petrobras e Pluspetrol.

Os manifestantes destruíram e saquearam a sede da Refinor, enquanto que na Tecpetrol um veículo pesado foi utilizado para derrubar seu portão de acesso. Escritórios foram invadidos e queimados e, depois, o grupo fugiu como pôde.

El Tribuno acrescentou que, segundo testemunhas, os líderes das manifestações portavam armas de fogo.

La Nación, por sua vez, afirmou que a polícia não atuou com mais rigor para evitar estas ações, porque os manifestantes “usaram mulheres e crianças” como proteção.

Tentar deter o saque teria provocado um confronto que poderia ter deixado inocentes feridos, explicaram fontes policiais ao jornal de Buenos Aires.

O bloqueio à refinaria da Refinor, que abastece Paraguai e Bolívia de combustível por meio de caminhões-tanque, foi realizado por um grupo de ex-empregados da extinta empresa estatal YPF, adquirida em 1999 pela espanhola Repsol. Eles alegam que o Estado argentino lhes deve o pagamento de ações que tinham na empresa dentro de um programa de propriedade participada.

Ao todo, 3.000 ex-funcionários da YPF exigem quantias que vão de 60.000 a 70.000 pesos (21.428 a 25.000 dólares), disse nesta sexta-feira La Nation

Depois dos incidentes de quinta-feira, o ministro do Interior, Aníbal Fernández, decidiu receber na próxima segunda-feira representantes deste grupo, revelaram ao jornal fontes do Governo de Salta.

Refinor e Tecpetrol empregam, de maneira indireta e direta, 1.845 pessoas na zona de General Mosconi.