Manifestações apoiam presidente destituído no Paraguai

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Publicado quarta-feira, 27 de junho de 2012 as 06:04, por: cdb

O golpe parlamentar para afastar Fernando Lugo da presidência do Paraguai tem resposta nas manifestações de rua. Lugo promete “resistência pacífica” e vai percorrer o país para recolher apoios contra o governo “ilegítimo” do seu antigo vice-presidente. O governo golpista foi impedido de participar na cimeira do Mercosur.Artigo |27 Junho, 2012 – 12:57 Paraguaios em luta pelo restabelecimento da democracia no país e o regresso do presidente Lugo ao poder.

A Frente Nacional pela Defesa da Democracia no Paraguai, criada após o golpe que destituiu Fernando Lugo na semana passada, comanda a resistência ao golpe e integra a Frente Guasu e outros movimentos políticos e sociais paraguaios, a par das organizações camponesas. A Frente não reconhece o novo governo e está a orgnanizar protestos em todo o país, com manifestações e cortes de estradas.

Na frente diplomática, o novo governo do Paraguai fica de fora da cimeira do Mercosur que esta sexta-feira tem início na Argentina, por decisão do país anfitrião, apoiado pelo Brasil e Uruguai. Mas a Frente oposicionista enviará um emissário para explicar aos outros governos “a resistência civil que está em marcha no Paraguai e a necessidade de restituição da democracia, garantindo o regresso do presidente Lugo ao poder”.

A crise política no país irá desenvolver-se nas próximas semanas, sob o olhar atento dos países da região. O presidente uruguaio condenou abertamente o “golpe de estado parlamentar” mas já disse que não está disposto a decretar sanções económicas “porque o povo paraguaio é que acaba a pagar por isso”. No mesmo tom, o governo chileno, pela voz de Alfredo Moreno, reconheceu que houve um “ato ilegítimo” na destituição de Lugo, embora não deva “chegar ao extremo das sanções comerciais” ao Paraguai.

A Venezuela tem assumido desde o início a postura mais dura contra o governo saído do golpe. “Nós não reconhecemos outro presidente que não seja Fernando Lugo”, disse Hugo Chávez, acrescentando que parou a venda de petróleo ao Paraguai. Em resposta, a comissão de Negócios Estrangeiros do parlamento paraguaio declarou o ministro que tem essa pasta em Caracas como persona non grata, por ter dito que o processo de destituição foi um “atropelo às instituições democráticas e um golpe parlamentar ao Estado de Direito”.

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