Manifestação questiona remoções causadas pela Copa do Mundo

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Publicado quinta-feira, 29 de novembro de 2012 as 18:15, por: cdb

Comitê Popular da Copa realizará o ato “Copa Pra Quem?” neste sábado (01), dia em que ocorre o sorteio das chaves do evento esportivo da FIFA, em São Paulo

29/11/2012

José Francisco Neto

da Redação


O Comitê Popular da Copa (SP), grupo composto por mais de 50 movimentos sociais, vai realizar o ato “Copa Pra Quem?” neste sábado (01), dia em que ocorre o sorteio das chaves do evento esportivo da FIFA, em São Paulo. O objetivo da manifestação é questionar as ações do poder público que irão remover cerca de 170 mil pessoas por conta das obras do mega evento. Leia aqui o manifesto

 

O ponto de partida será em frente ao prédio ocupado na rua Mauá, 340, região do bairro da Luz, centro da capital. De lá, os manifestantes partirão em direção ao Anhembi, onde ocorrerá o show do sorteio.

No trajeto, haverá uma série de intervenções artísticas que também irão abordar temas como perseguição ao trabalho ambulante, genocídio nas periferias e exploração de mulheres e crianças.

De acordo com a integrante do Comitê, Juliana Machado, a remoção das famílias é a primeira questão em pauta. “Em seguida teremos as zonas de exclusão e todo o aparato de segurança para criminalizar a população em razão das obras do evento que sequer foram discutidas”, diz Juliana.

Custos e remoções*

Belo Horizonte

Serão removidas 1038 famílias para a execução das obras da Copa do Mundo, sendo que apenas 640 vão ser reassentadas na área de intervenção do programa “Vila Viva”. As demais 398 famílias serão submetidas a deslocamento forçado

Curitiba

Cerca de 250 imóveis serão desapropriados, somando em torno de mil pessoas afetadas, a um custo de R$ 80 milhões. 

Fortaleza

Mais de 3.500 famílias serão removidas em função das obras para a Copa. Elas reclamam de falta de informação e transparência no processo de decisão e implantação das obras, não havendo sequer diálogo com as comunidades.

Natal

A construção do aeroporto internacional no município de São Gonçalo do Amarante tem um custo previsto de R$ 476,9 milhões. O grande problema da construção do aeroporto é o impasse com as 345 famílias da comunidade Padre João Maria, que vivem perto da cabeceira da futura pista.

Porto Alegre

Enquanto meios de comunicação estimam que pelo menos 4500 famílias sejam retiradas de suas casas, entidades da sociedade civil acreditam que esse número pode chegar a 10 mil famílias removidas em Porto Alegre e Canoas.

Rio de Janeiro

Estão previstos R$ 954 milhões para a construção das obras. Mais de 500 famílias serão atingidas, muitas delas estabelecidas há cerca de quatro décadas nos locais.

São Paulo

Os mega-projetos têm sido os principais responsáveis por remoções, estimando-se que serão desalojadas mais de 50 mil famílias nos próximos anos.

 

*As informações são da ONG Terra de Direitos