Mangueira é campeã do carnaval

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Publicado quinta-feira, 14 de fevereiro de 2002 as 00:49, por: cdb

Por apenas 0,1 ponto de vantagem e já de posse do prêmio Estandarte de Ouro de Melhor Escola de Samba, a Mangueira, uma das mais tradicionais escolas de samba do Brasil, foi consagrada a grande campeão do Carnaval do Rio de Janeiro em 2002 com um enredo que cantou as maravilhas da região Nordeste.

Em segundo lugar, ficou a Beija-Flor de Nilópolis, que trouxe para a Marquês de Sapucaí o tema da aviação. Este foi o quarto ano em que a Beija-Flor saiu da Sapucaí como vice-campeã.

Mas a diferença este ano foi mínima. Com as novas regras que permitem aos jurados atribuírem notas fracionadas em números decimais, a campeã conquistou 399,5 pontos com seu enredo “Brazil com Z é para cabra da peste, Brasil com S é a nação do Nordeste” enquanto a vice, que cantou “O Brasil Dá o Ar da sua Graça – de Ícaro a Rubem Berta, o Ímpeto de Voar”, recebeu 399,4 pontos.

A Mangueira tomou a dianteira logo no anúncio das notas do segundo quesito, Fantasias, quando a jurada Dulce Tupy tirou um décimo de ponto da Beija-Flor.

A escola de Nilópolis perdeu ainda 0,5 ponto no quesito Alegorias e Adereços, no qual a Mangueira também perdeu 0,3 ponto.

Mas a Mangueira ainda perderia décimos de pontos em outras duas categorias, surpreendentemente nas quais é considerada uma das melhores: Maurício Ferola deu um 9,9 para a Verde e Rosa no quesito Evolução, enquanto Mário Jorge Bruno tirou-lhe mais um décimo no último quesito a ser anunciado, Bateria, levando as torcidas das duas escolas à loucura.

A Beija-Flor recebeu apenas notas 10 no quesito Bateria, considerado o primeiro critério de desempate.

Com a novidade de suavizar um pouco o tradicional verde e rosa da escola – as cores estiveram presentes nas fantasias e alegorias, mas quase sempre separadas -, a Mangueira contou na noite de segunda-feira a história dos nove estados da Região Nordeste, regida pelo carnavalesco Max Lopes.

O destaque do enredo foi a comissão de frente, teatral: retirantes empurravam baús, de onde saíam moças que formavam, com estes retirantes, pares de quadrilha.

A bateria, famosa pela marcação única do surdo, ousou uma “paradinha”, criada por Mestre Russo, formado na “Mangueira do Amanhã”, a escola-mirim — que parece não ter sido aprovada pelo jurado Mário Bruno.

O título interrompeu um jejum de cinco anos. O último campeonato da Mangueira foi em 1998, quando a escola homenageou o compositor Chico Buarque de Holanda.

Em terceiro lugar, com 396,1 pontos, ficou a tri-campeão Imperatriz Leopoldinense, que homenageou os modernistas de 22 com “Goytacazes… Tupy or not Tupi, In a South American Way”. A Mocidade Independente de Padre Miguel ficou em quarto, com 395 pontos, cantando a magia circense em “O Grande Circo Místico”.

A Viradouro obteve o quinto lugar, com o enredo “Viradouro, Vira-Mundo, Rei do Mundo”, que homenageava a liberdade, enquanto o Salgueiro conquistou a sexta posição com “Asas de um Sonho – Viajando com o Salgueiro, Orgulho de Ser Brasileiro”, que também homenageou a aviação brasileira.

As seis escolas voltarão a desfilar na Sapucaí no próximo sábado, dia 16.

Em seguida, vieram Grande Rio, Portela, Império Serrano, Unidos da Tijuca, Porto da Pedra, Caprichosos de Pilares e Tradição.

De acordo com as novas regras, apenas uma escola cai este ano para o Primeiro Grupo. A lanterninha foi a São Clemente, que conseguiu somar apenas 356,2 pontos.