Mananciais desaparecem com rapidez em todo o mundo

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007 as 10:54, por: cdb

Nesta sexta-feira, 2 de fevereiro, é a data em que o mundo celebra o Dia Mundial das Zonas Úmidas. Na data, organizações não governamentais, ambientalistas, organizações oficiais, cidadãos e cidadãs em geral, aproveitam a oportunidade para sensibilizar as populações e as autoridades governamentais acerca dos valores e benefícios que se apresentam no conjunto de ecossistemas. As entidades indicam que é necessário que os governos se comprometam com a Convenção sobre as Zonas Úmidas, que trata sobre conservação, produção e uso sustentável dos recursos pesqueiros.

De acordo com o a Rede Manglar, em seu comunicado que convida as pessoas a fazerem parte desta luta, existe pelo menos 2 bilhões de pessoas – a maioria nos países em desenvolvimento – cuja fonte primordial de proteínas de origem animal é o pescado e se calcula que 35 milhões se dedicam diretamente, em tempo completo ou parcial, a capturar peixes silvestres ou de cativeiros. A pesca gera mais de 55 bilhões de dólares no comércio internacional e, nos últimos 30 anos, a aqüicultura se transformou no setor da produção de alimentos que cresce mais rapidamente e aporta a terceira parte do pescado que se consome no mundo.

Diante da falta de programas e práticas do uso racional das zonas úmidas é urgente que medidas preventivas sejam levadas adiante, com determinação e compromisso. Os dados das organizações são expressivos. No mundo, 75% das populações de peixes marinhos de importância comercial e a maioria dos peixes de águas interiores estão sendo objetos de uma pesca excessiva ou se pescam em quantidades que beiram seu limite biológico. A cada dia são mais preocupantes as conseqüências das práticas insustentáveis da aqüicultura sobre os ecossistemas de zonas úmidas.

A Confederação Ecólogos Humanistas Guerreiros do Arco Iris (Ecoiris) acrescenta que mais de 2 bilhões de pessoas não têm acesso a água e mais de 2 bilhões precisam de serviços sanitários adequados: os rios e as zonas úmidas – fontes de água e vida – estão se acabando. Em alguns países em desenvolvimento, os mais atingidos pela crise de água, a perda das zonas úmidas obriga o povo a percorrer distâncias cada vez maiores em busca de água para cobrir necessidades básicas como são a alimentação e o asseio diário.

Entre os vários males derivados da pesca sem controle estão o aumento da demanda do pescado e molusco; a competição das embarcações comerciais de grande porte com os pequenos pescadores artesanais para explorar populações de peixes que estão diminuindo; problemas no meio ambiente ocasionados com a difusão da aqüicultura; o emprego de práticas de pesca destrutiva, como o arrasto e a utilização de veneno.

Contudo, é preciso deixar claro que as regiões costeiras, onde se captura 90% da pesca comercial, estão sob controle dos governos nacionais. “As práticas de ordenamento necessitam de cooperação, de regulamentação e de controle nacionais, regionais e internacionais. Os problemas são imensos e ainda que se tenha alcançado resultados excelente, ainda há muito o que fazer nesta parte de ordenamento”, afirma.

A Convenção

Em sua definição, a Convenção de Ramsar estabelece que as zonas úmidas são “as extensões de charcos, pântanos, turfas, ou superfícies cobertas de águas, sejam estas de naturais ou artificiais, permanentes ou temporárias, paradas ou correntes, doces, salobras ou salgadas, incluídas as extensões de água marinha cuja profundidade em maré baixa não exceda a seis metros.”

A Convenção sobre as Zonas Úmidas, assinada em Ramsar, Irã, em 1971, é um tratado inter-governamental que serve de marco para a ação nacional e cooperação internacional em prol da conservação e uso racional das zonas úmidas e seus recursos. Existem atualmente 150 Parte Contratantes na Convenção e 1.590 zonas úmidas, com uma superfície total de 134 milhões de hectares, designados para serem incluídos na Lista de Zonas Úmidas de Importância Internacional de Ram