Malan garante controle da inflação em 2002

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Publicado sexta-feira, 14 de dezembro de 2001 as 12:40, por: cdb

“Não há a menor possibilidade da inflação brasileira fugir de controle”. A afirmação categórica é do ministro da Fazenda, Pedro Malan, admitindo, porém, que a inflação ficará acima do previsto pelo governo, que era de 4% com variação de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo. Segundo Malan, a inflação deve passar dos 7%, ficando “um pouquinho acima da meta”. Ele, no entanto, destacou que o País não experimentava uma inflação como essa desde a primeira metade dos anos 50.

O ministro explicou que o ano de 2001 foi marcado por dificuldades na área internacional e no Brasil, como a crise de energia que, de acordo com ele, estará superada no ano que vem. “Em algum momento em 2002 ficará claro que isso é uma página virada”, previu. Malan comentou que os aumentos de preços públicos – que normalmente forçam para cima a inflação – ocorrem porque o governo tem de cumprir contratos com empresas. Ontem, por exemplo, o governo anunciou que a tarifa de energia elétrica sofrerá nos próximos dias reajuste de até 4% para os consumidores residenciais. Para o ministro, além desses fatores, o governo está investindo para superar a crise de energia. “Representa o preço transitório e temporário que estamos pagando para superar definitivamente a crise de energia”, explicou.

O ministro da Fazenda disse que a trajetória da taxa de juros no Brasil é “declinante”, mas admitiu que a taxa ainda está alta. Ele preferiu não especular sobre qual decisão será tomada na próxima reunião do Comitê de Política Monetária, mas afirmou que a perspectiva para médio prazo é que a taxa siga a tendência de baixa, porém, condicionou a queda à manutenção da política brasileira de responsabilidade fiscal, de controle do gasto público e da adequação de receita à despesa. “É a maneira pela qual ficará claro que nós temos margem e espaço para a redução da taxa de juros”, disse.

Questionado sobre se o câmbio encontrou seu ponto de equilíbrio, Malan foi enfático ao negar comentário sobre o assunto: “Se o ministro da Fazenda ou o presidente do Banco Central dissessem que o câmbio, onde está, é apropriado, aquilo significaria que o sistema não é de taxas flutuantes, o governo teria interpretado como tendo um compromisso com determinado nível do real em relação ao dólar, alguma taxa, alguma banda de variação e não é o caso, o sistema é flutuante”, esclareceu.

O ministro afirmou que a recuperação das exportações do Brasil não está somente relacionada à disparada da cotação do dólar, mas à mudanças na economia do País. “É um processo de mudança estrutural na economia brasileira em que a desvalorização do real desde 1999 é um enorme estímulo, não só à produção exportável, que vem respondendo desde o agronegócio, na indústria, mas como também à produção doméstica que compete com importações”, comentou.

O crescimento da economia brasileira no ano que vem, na opinião do ministro, vai depender de alguns fatores, entres eles, do comportamento econômico dos Estados Unidos. “Vai haver uma recuperação da economia norte-americana no ano que vem, sugerem todos os analistas, a incerteza é de quando ela ocorrerá”, comentou. Para o ministro, se esta recuperação iniciar cedo trará “enormes efeitos positivos” para o mundo e para o Brasil. Malan fez a mesma previsão sobre a economia européia, mas declarou que no caso do Japão há um grande “ponto de interrogação”.

Malan acredita também que no ano que vem, quando ocorrerão eleições, “não surgirá nenhuma dramática ruptura, descontinuidade, que o brasileiro não elegerá um governo que apresentará uma mudança radical com tudo que vem sendo feito ao longo dos últimos anos” e que isso representa mais uma boa expectativa de crescimento econômico. O ministro criticou algumas idéias defendidas hoje nos debates pré-eleitorais e fez uma referência ao PT. “Certas observações que traduziriam, ao meu ver, questões equivocadas, como por exemplo, o candidato do principal partido de oposição, dizer que os europeus estão corretos ao impor barre