Mais de mil famílias sem-terra promovem ocupações no país

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Publicado segunda-feira, 2 de junho de 2003 as 08:57, por: cdb

Agricultores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) promoveram duas ocupações, durante o fim de semana, envolvendo mais de mil famílias. Uma delas ocorreu no Rio Grande do Sul. A outra foi no interior de São Paulo. Já na noite de sábado, cerca de 600 famílias ocuparam uma fazenda em Mossoró, a 271 quilômetros de Natal, no Rio Grande do Norte.

A área ocupada pertence à empresa Maísa, que já foi a maior produtora de frutas do Estado, e que hoje está falida. A área está abandonada há dois anos, segundo a organização do movimento na região. Os coordenadores do MST no Estado informam que mais de 600 famílias estão acampadas no local e que não há um prazo para a desocupação. O movimento exige que a área da fazenda seja declarada improdutiva e possa ser distribuída através da reforma agrária.

A propriedade tem, aproximadamente, 24 mil hectares e, segundo o MST, é hoje o maior latifúndio improdutivo no Estado. Ainda de acordo com o MST, a área da fazenda seria suficiente para assentar mais do que as 600 famílias que ocuparam a fazenda.

Domingo, o MST também promoveu uma ocupação em Andradina, a 630 quilômetros de São Paulo. Cerca de 400 famílias ligadas ao movimento ocuparam uma área de, aproximadamente, mil hectares. As famílias deixaram um acampamento montado na Fazenda Dourados, em Mirandópolis, na manhã de ontem e dirigiram-se até o local. A fazenda deveria receber ainda hoje mais famílias provenientes de grupos de sem-terra de Araçatuba. Os líderes do MST na região afirmaram que as ações do movimento na área serão pacíficas.

Por outro lado, um enorme acampamento organizado pelo MST que ocupa três quilômetros ao longo de uma estrada vicinal em Presidente Epitácio (SP) no Pontal do Paranapanema, começou a se ampliar com a chegada de novas famílias, que se somam às quase 600 que já estavam no local.

Os cerca de 400 invasores deixaram ontem pela manhã uma fazenda experimental da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Ponta Grossa (PR), que havia sido ocupada na sexta-feira pela manhã. No mesmo dia a empresa pleiteou e conseguiu na Justiça um mandado do reintegração de posse.

O Governo do Estado havia dado prazo até as 15h deste sábado para que os sem-terra deixassem a área, usada para pesquisas agrícolas da empresa. Cerca de 400 homens da Polícia Militar foram enviados ao local. Representantes dos sem-terra e da empresa negociaram ao longo de todo o sábado a saída.