Mais de 60% dos brasileiros não confiam em Michel Temer

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Publicado sexta-feira, 1 de julho de 2016 as 11:06, por: cdb

Temer assumiu o governo em 12 de maio, quando o Senado aprovou a admissibilidade do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff

Por Redação, com Reuters e Agências de Notícias – de Brasília:

O governo do presidente de facto Michel Temer foi considerado ótimo ou bom por apenas 13% da população, mostrou pesquisa CNI/Ibope nesta sexta-feira, enquanto 39% avaliaram o governo como ruim ou péssimo. A pesquisa, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria, apontou ainda que 27% confiam no presidente de facto, enquanto 66% não confiam. Já a maneira de governar de Temer é aprovada por 31% e desaprovada por 53%.

MIchel Temer
Segundo a pesquisa a maneira de Michel Temer de governar o país é desaprovada por 53%

De acordo com a pesquisa, a popularidade de Temer ficou ligeiramente maior do que a da presidenta Dilma Rousseff, em março de 2016. Ainda assim, o número de pessoas que avalia positivamente o atual governo é menor do que o dos que têm uma percepção negativa. O percentual de ótimo ou bom registrado neste mês é similar aos 10% do governo Dilma Rousseff em março deste ano (a margem de erro da pesquisa é de dois pontos para mais ou para menos). No entanto, apenas 14% aprovavam a maneira de governar e 18% confiavam na presidente. Entre os entrevistados, 44% acreditam que o governo Temer está sendo igual ao de Dilma.

​A popularidade de Michel Temer é mais baixa na região Nordeste, onde 44% dos moradores consideram o governo ruim ou péssimo, 72% não confiam no presidente em exercício e 63% desaprovam sua maneira de governar. “Para 38% dos residentes na região Nordeste, o governo Temer está sendo pior que o governo Dilma Rousseff. Esse percentual cai para 25% entre os moradores do Norte e Centro-Oeste, 20% no Sudeste e 19% no Sul”, diz a pesquisa.

A maior insatisfação dos brasileiros é com as políticas de juros e impostos – ambas reprovadas por mais de 75% da população. Em seguida, vem a saúde (73% de desaprovação) e a segurança pública (72% de desaprovação).

As ações com maior crescimento no percentual de aprovação foram o combate à inflação e ao desemprego. A área com o maior grau de aprovação (33%) é o meio ambiente.

Temer assumiu o governo em 12 de maio, quando o Senado aprovou a admissibilidade do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

A pesquisa foi feita entre os dias 24 e 27 de julho com 2.002 pessoas, em 141 municípios. A margem de erro é dois pontos percentuais e, segundo a CNI, o grau de confiança da pesquisa é 95%.

Encontro de Temer com Eduardo Cunha

Na última terça-feira, a presidenta afastada Dilma Rousseff comentou em sua página no Twitter que o encontro secreto de Michel Temer com Eduardo Cunha, ambos do PMDB, no Jaburu. “O presidente interino não consegue nem governar sem conversar com o presidente suspenso da Câmara dos Deputados, que já foi denunciado pelo STF duas vezes”, escreveu a presidenta.

Dilma também afirmou que o “erro mais óbvio” que cometeu foi a aliança que fez para a reeleição com o “grupo político de quem teve atitude de usurpação e traição”. “Poderíamos ter sido mais contundentes para denunciar golpe articulado pela mídia, descontentes que ‘não queriam pagar o pato’, oposição e golpistas”, destacou.

A presidenta, que tem buscado aprofundar o debate com diversos setores sobre a realização de um plebiscito sobre novas eleições como alternativa para enfrentar a crise política do país, também defendeu a realização de uma reforma política.

“É necessário uma profunda reforma política e não está em questão apenas o mandato do presidente da República, mas de todo o Legislativo. Estamos num momento especial. É preciso recompor conquistas e abrir caminhos para que se crie uma verdadeira democracia”, completou Dilma.

Ainda de acordo com Dilma Rousseff, “as condições políticas no Brasil estão em processo acelerado de deterioração, principalmente no plano federal” e dispara: “Está ficando cada vez mais claro que as razões que levam ao processo de impeachment são infundadas”.