Mais de 43 milhões nos EUA não têm seguro de saúde

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 30 de setembro de 2003 as 16:39, por: cdb

O número de pessoas que não têm seguro de saúde nos Estados Unidos aumentou em 2002 em 2,4 milhões, chegando a 43,6 milhões, das quais mais de um terço são hispânicas, de acordo com o Escritório do Censo. Apenas quatro dias depois de o governo ter informado que nos EUA em 2002 havia 34,6 milhões de pobres, devido à perda de empregos e à redução dos salários, o Escritório do Censo calculou que 15,2% da população estão desprotegidas em termos de saúde.

“Pelos segundo ano consecutivo, a diminuição geral da cobertura de seguros médicos foi atribuída à redução da porcentagem (de 62,6% para 61,3%) de pessoas cobertas por seguros concedidos por seus empregadores”, acrescentou a agência governamental.

Da mesma forma que os 1,7 milhão de pessoas que no ano passado se somaram à camada mais pobre da população, os 2,4 milhões de pessoas que engrossaram o contingente dos que não dispõem de seguro médico representam um problema social para as aspirações do presidente George W. Bush de conseguir a reeleição no próximo ano.

Em sua maioria, estas pessoas não eram pobres nem careciam de seguro médico mas tinham emprego, cobertura médica e renda acima da linha de pobreza, mas a situação mudou para pior como a economia em geral desde que Bush chegou à Casa Branca, em janeiro de 2001, que perdeu perto de 3 milhões de postos de trabalho.

O senador John Edwards, da Carolina do Norte, e um dos 10 aspirantes à candidatura presidencial do Partido Democrata em 2004, disse aos jornalistas que “quando se trata de pessoas sem seguro médico este presidente e este governo têm sua própria doença chamada: não é problema meu”. O Escritório do Censo calculou que 15,2% da população de EUA não tinham no ano passado seguro médico, mas essa taxa sobe para 32,4% no caso dos hispânicos, o que faz da minoria étnica mais numerosa do país a mais desamparada na área da saúde. “Três fatores empurraram para baixo o número de pessoas com seguro médico particular em 2002”, na opinião de Leighton Ku, um analista do Centro sobre Orçamento e Prioridades Políticas, um grupo de estudos com sede em Washington.

“Primeiro, a taxa de desemprego subiu de 4,7% em 2001 para 5,8% em 2002 e um grande número dos novos desempregados e seus empregados perdeu os seguros concedidos pelos empregadores”, acrescentou.

Em agosto, segundo o Departamento de Trabalho, a taxa de desemprego foi de 6,1% de uma força de trabalho que encolheu porque centenas de milhares de pessoas, decepcionadas pela situação do mercado de trabalho, abandonam a busca de trabalho. Além disso, acrescentou Ku, “algumas pequenas empresas responderam ao aumento dos custos da assistência médica, que subiram 12,7% em 2002, eliminando seus programas de seguro para os empregados”.

“Em terceiro lugar, muitas outras empresas transferiram para os empregados o pagamento de mais cotas do seguro médico”, por isso alguns trabalhadores já não podem pagar a cobertura, acrescentou.

Os programas governamentais, especialmente o Medicaid -que ajuda pessoas pobres- ampararam mais pessoas e amorteceram a perda de seguro médico concedido por empregadores “mas isso não foi suficiente para compensar a diminuição na cobertura privada”, assinala o relatório.

Embora a população dos Estados Unidos tenha aumentado em 3,9 milhões, o número de pessoas cobertas por planos de saúde dos empregadores diminuiu em 1,3 milhão e o número dos que careciam de seguro médico subiu em 2,4 milhões. Trinta por cento das pessoas sem seguro médico tem entre 18 e 24 anos, e 12% dos menores de idade não tem cobertura de suas despesas com saúde.

Vinte e seis por cento dos que não têm seguro médico não tinham emprego no ano passado, mas ainda entre que trabalharam em tempo integral 17% também não tinham seguro médico, segundo o Escritório do Censo.