Mais de 11 mil crianças fazem parte de combates na Colômbia

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Publicado quinta-feira, 18 de setembro de 2003 as 22:42, por: cdb

Um em cada quatro combatentes da guerrilha de esquerda e dos paramilitares de ultradireita colombianos é uma criança, e muitos são obrigados a cometer atrocidades e assassinatos em meio ao conflito interno que assola o país.

A denúncia é do Human Rights Watch, acrescentando em um relatório de 150 páginas, intitulado “Aprender a não chorar: Crianças combatentes na Colômbia”, que os grupos armados ilegais contam com 11 mil combatentes crianças.

O Human Rights Watch, organização de defesa dos Direitos Humanos, disse que a Colômbia é o terceiro país do mundo com este problema e que o número de crianças combatentes só é superado pela Birmânia e pela República Democrática do Congo.

Os menores têm um papel ativo no conflito, que já dura quase quarenta anos e que deixou 40 mil mortos na última década, por causa do aumento no recrutamento de crianças nos últimos anos, afirmou o relatório.

– Ao utilizar crianças para o combate, a guerrilha e os paramilitares estão causando um dano incalculável para a sociedade colombiana. Estas crianças levarão as cicatrizes de sua experiência durante décadas – disse José Miguel Vivanco, diretor-executivo da divisão das Américas da organização.

O relatório revelou que 80% das crianças combatentes pertencem às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) ou ao Exército de Libertação Nacional (ELN). Vários deles são menores de 15 anos.

– Expor uma crianças de menos de 18 anos ao combate e sua possível morte é um ato censurável, e o uso de crianças combatentes menores de 15 anos é um crime de guerra -declarou Vivanco.