Mais 2 marroquinos presos por ataques de Madri

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 24 de março de 2004 as 19:14, por: cdb

Os marroquinos Rafá Zuher e Naima Oulad Akcha, supostamente relacionados aos atentados do dia 11 em Madri, foram presos nesta quarta-feira por um ordem judicial, acusados de ter colaborado com uma organização terrorista. Fontes jurídicas informaram que em seus respectivos depoimentos, Zuher e Oulad -a única mulher detida- negaram ante o juiz da Audiência Nacional espanhola Juan del Olmo ter intervindo na preparação ou na realização do massacre.

No último dia 11, em um atentando atribuído à rede terrorista Al-Qaeda, várias bombas explodiram dentro de quatro trens cheios de passageiros, matarando 190 pessoas e ferindo mais de 1,5 mil. Em seu depoimento ao juiz, os dois marroquinos presos hoje condenaram expressamente os atentados, rejeitaram o terrorismo e asseguraram que nunca tiveram vinculação com a Al-Qaeda ou com qualquer outro grupo islâmico radical.

Essas duas pessoas foram detidas no fim de semana passado junto com Khalid Oulad Akcha -irmão de Naima- e Faisal Alluch, também de origem marroquina. Na prisão, o magistrado dispôs que Zuher e Oulad, que prestaram depoimento acompanhados por defensores públicos, permanecerão isolados nos próximos cinco dias.

Com esses dois, sube para onze o número de presos decorrentes de uma ordem do juiz Del Olmo -de um total de quatorze detidos- por sua suposta relação com os atentados de Madri, embora só cinco deles supostamente participaram do massacre. Tratam-se dos marroquinos Jamal Zougam, Mohamed Chaoui, Mohamed Bakali e Abderrahim Zbakh e do espanhol José Manuel Suárez Trashorras, acusados pela morte de 190 pessoas, pela tentativa de homicídio de outras 1,43 mil e por quatro delitos relacionados ao terrorismo.

Suárez, quem presumivelmente facilitou os mais de cem quilos de explosivo empregado nos atentados, foi também imputado por um delito de terrorismo em relação com o roubo ou furto de substâncias explosivas. Este detido, que trabalhou até dois anos atrás em uma mina de cal na cidade asturiana de Tineo, aposentou-se antecipadamente depois que foi diagnosticado como sendo uma pessoa que sofre de problemas psiquiátricos.

Aos demais implicados, o juiz imputou os delitos de colaboração com organização terrorista e falsificação de documento comercial com fraude aos cidadãos indianos Suresh Kumar e Vinay Kohly, que supostamente participaram da compra e da venda dos telefones celulares e dos cartões empregados nos atentados.

Outros dois cidadãos marroquinos, Abdelouahid Berrak e Mohamed Chedadi, foram presos ontem acusados de pertencer e de colaborar com o grupo armado. Farid Oulad Ali foi posto em liberdade já que o juiz determinou que, a princípio, não existem elementos para incriminá-lo.

As outras duas pessoas detidas no fim de semana passado, Faisal Alluch e Khalid Oulad Akcha, este último irmão de Naima, devem ficar à disposição judicial na próxima sexta-feira.