Maioria dos Leitores do Estadão não concordou com a eleição de Paulo Coelho

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Publicado terça-feira, 30 de julho de 2002 as 10:32, por: cdb

A maior parte dos leitores do Estadão não concordou com a eleição de Paulo Coelho para a Academia Brasileira de Letras, na quinta-feira. O Portal Estadão recebeu mensagens de vários estados brasileiros e do exterior, como dos Estados Unidos, Alemanha e Portugal.
Para a imensa maioria das cerca de 300 pessoas que opinaram no Fórum dos Leitores aberto de sexta-feira a domingo, a chegada do Mago à ABL significou um acontecimento ruim para a cultura do País. Os argumentos foram os mais variados, indo da crítica à qualidade do texto de Paulo Coelho até ofensas puras e simples. Houve leitores que aprovaram a escolha da ABL. Dentre estes, que claramente são a minoria, o argumento preponderante é de que a literatura de Paulo Coelho é popular, mas nem por isso menor. Ao contrário, o fato de ser mais lido do que muitos escritores que gozam de reconhecimento intelectual seria indicativo de qualidade.
Para outros leitores pesou o fato de Paulo Coelho ser bem acolhido fora do Brasil. E alguns também ressaltaram que o escritor ajuda aqueles que o lêem, divulgando mensagens de otimismo. Dezenas de mensagens revelam descrença dos leitores na Academia Brasileira de Letras. Muitos deles questionam a presença nos seus quadros de alguns imortais cuja “produção literária” é discutível, notadamente o senador e ex-presidente José Sarney, o jornalista Roberto Marinho, o cirurgião plástico Ivo Pitanguy e o general Aurélio de Lyra Tavares.
Vários leitores lembraram que nomes incontestáveis da literatura brasileira nunca entraram para a ABL, como Carlos Drummond de Andrade e Mário Quintana. Mas algumas mensagens demonstram desconhecimento do processo eleitoral da instituição.
A ABL só escolhe um novo imortal entre aqueles que se candidatam, não podendo selecionar um escritor contra sua vontade. “A origem da palavra academia vem de jardim de Academo (herói ateniense), onde Platão ensinava Filosofia”. Com esta explicação, o leitor Reginaldo P. Silva, de São Paulo, inicia sua crítica à Academia Brasileira de Letras. Contrário à eleição de Paulo Coelho, ele sugere mudar o nome da instituição “para algo como Clube Brasileiro de Letristas”. “Depois de eleito Paulo Coelho, teríamos de eleger agora o Ratinho, o Silvio Santos, o Raul Gil, a Tiazinha, a Feiticeira e a Solange Frazão”, diz o leitor Ricardo Mário Gonçalves, de São Paulo. “Paulo Coelho só está na ABL por causa do Raul Seixas”, afirma Carlos Araújo, de Itabuna, lembrando que o Mago foi um dos parceiros de Raul em vários de seus sucessos. Para Rogério Oliveira, de Curitiba, “a eleição de Paulo Coelho reflete o nível raso da cultura em nosso país”.