Maioria do PT quer reforma ministerial ampla

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Publicado quarta-feira, 5 de novembro de 2003 as 10:55, por: cdb

Preocupado com o desempenho do governo em áreas sensíveis, como da segurança, geração de empregos, desenvolvimento econômico e planejamento a longo prazo, o setor dito majoritário do PT tentará convencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a fazer uma reforma ministerial abrangente, com reflexos nestas esferas, e não apenas algumas trocas para abrigar o PMDB.

Pertencem à ala majoritária dirigentes do PT como o presidente nacional do partido, José Genoino, e o secretário-geral, deputado Jorge Bittar (RJ), e homens fortes da administração federal como os chefes da Casa Civil, José Dirceu, e da Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica da Presidência da República, Luiz Gushiken.

São as fragilidades identificadas nestes pontos pelas pesquisas internas da legenda que levam a sigla a oferecer a Lula um sacrifício maior. Mais petistas que estão no Poder Executivo poderão deixar os cargos, se o presidente quiser mesmo uma reforma que não se limite a dar assento ao PMDB.

A mudança na equipe, na opinião de dirigentes petistas, teria de ser mais profunda. Na reunião da executiva nacional da agremiação, realizada segunda-feira, em Brasília, Bittar falou da necessidade de planejamento do Executivo a longo prazo, o que, na opinião dele, não estaria ocorrendo.

Na interpretação de um dirigente petista, o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Guido Mantega, não corresponderia ao que pregou o então candidato Lula durante a campanha: a gestão seria marcada pelo planejamento de longo prazo. Hoje, o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão limita-se a tentar cobrir buracos do passado e não a pensar o futuro. O mesmo dirigente lembra que, a princípio, o presidente tinha pensado em escolher o atual ministro da Fazenda, Antônio Palocci, para o cargo de ministro do Planejamento e Orçamento.

Mantega, tido como excessivamente teórico, não integraria o primeiro escalão. Mas a facilidade com que Palocci se enfronhou na política econômica e a credibilidade que conquistou ante a comunidade financeira internacional e organismos bilaterais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), levaram Lula a nomeá-lo ministro da Fazenda.

No encontro com os dirigentes petistas, Dirceu falou que a União terá de encontrar fórmulas de gerar mais emprego, sendo progressista dentro de uma política econômica conservadora. Mas o PT quer mais do que isso. O partido tem levantamentos internos que mostram indicadores negativos na Região Sudeste, principalmente quanto à segurança e à falta de geração de empregos. A imagem de Lula está preservada; a da legenda, não.

O setor mais complicado para o governo no momento é o da segurança, concluiu a cúpula petista. As pesquisas indicam que a população não viu nenhum avanço em relação ao governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Como o ex-secretário nacional de Segurança Pública Luiz Eduardo Soares demitiu-se depois de se envolver numa polêmica contratação da atual e da ex-mulher (ele nega o nepotismo e afirma que foi vítima de um complô dentro do governo), o cargo está vago, o que facilita a nomeação de alguém que possa tentar ações imediatas na segurança.

Restaria, na opinião dos petistas, alguém para cuidar do desenvolvimento interno e de uma política industrial. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, é tido como um bom vendedor do Brasil lá fora, mas também não tem um plano para a política de crescimento dentro do País.