Maior partido da Argélia declara apoio à anistia

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Publicado segunda-feira, 31 de janeiro de 2005 as 19:24, por: cdb

O maior partido político da Argélia declarou apoio na segunda-feira à proposta de anistia geral feita pelo presidente Abdel-Aziz Bouteflika para encerrar mais de uma década de violência dos militantes islâmicos no país.

O apoio da Frente de Libertação Nacional, que conta com enorme base popular, é considerada essencial para a anistia, que deve ir a referendo neste ano.

– Todos aceitaram apoiar os programas sociais, econômicos e políticos de Bouteflika, e no topo da lista estão a anistia geral e a reconciliação nacional – disse o porta-voz da FLN, Boualem Bessaieh, em entrevista coletiva.

O partido, que governou a Argélia na maior parte do tempo desde a independência, em 1962, detém a maioria no Parlamento, mas apoiou o candidato derrotado nas eleições presidenciais de abril, o que causou divisões internas.

Bouteflika, que era candidato independente, propôs a anistia geral como forma de encerar um conflito que já matou cerca de 150 mil pessoas e quase destruiu a Argélia na década passada. A anistia deve incluir rebeldes e forças de segurança.

A guerra civil começou em 1992, quando o Exército cancelou uma eleição na qual um partido islâmico era favorito.

Bessaieh disse que a FLN pretende criar o cargo de presidente do partido, para o qual Bouteflika será convidado. O chanceler Abdel-Aziz Belkhadem deve ser eleito secretário-geral em breve.

– Espero que o presidente Bouteflika se torne o verdadeiro e efetivo presidente do partido – disse Bessaieh.

A FLN está paralisada desde que deixou a coalizão de governo, após negar apoio à reeleição de Bouteflika, em 2004. O candidato do partido foi o seu secretário-geral Ali Benflis, o que levou a ações judiciais que acabaram congelando a atuação da frente.

Desde então, a executiva partidária foi gradualmente “limpa” dos membros simpáticos a Benflis, substituídos por aliados de Bouteflika.

Críticos dizem que a FLN se tornou uma ferramenta do chefe de Estado, perdendo a relativa independência que obtivera com Benflis como líder.