Maior comunidade de São Paulo trocou experiências com Dharavi, favela da Índia

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Publicado terça-feira, 27 de março de 2012 as 15:37, por: cdb

Maior comunidade de São Paulo trocou experiências com Dharavi, favela da Índia

A Jornada da Habitação promoveu a troca de experiências e projetos habitacionais entre Paraisópolis e Dharavi, uma das maiores favelas da Índia.

Promovida pela Secretaria Municipal de Habitação (Sehab), a Jornada da Habitação estimula a troca de experiências entre projetos habitacionais da cidade de São Paulo com seis comunidades de outros países. Nos dias 3 e 4 de março, Paraisópolis dialogou com Dharavi, favela de Mumbai, uma das maiores da Índia, que ficou famosa no mundo inteiro ao servir de locação para o filme Quem Quer Ser um Milionário?, de Danny Boyle.

 

“O mais interessante é que a Jornada da Habitação traz um contraponto com outros lugares, outras culturas, com quem podemos aprender”, ressaltou o secretário municipal de Habitação, Ricardo Pereira Leite, que mediou a palestra “O empreendedorismo e a nova economia nos assentamentos informais”. Presente ao debate, o indiano Bhau Korde, uma das lideranças da favela de Dharavi, se encantou com Paraisópolis: “Nossas situações são muito semelhantes. É a mesma gente, é a minha gente. Eu poderia viver aqui”.

 

Outras palestras apresentadas foram O projeto de urbanização de Paraisópolis, Visão comunitária da urbanização e O espaço público na preexistência. Nesta última, a arquiteta Adriana Levisky sintetizou o propósito dos projetos de urbanização conduzidos pela Sehab em São Paulo. “Além das unidades habitacionais, queremos criar espaços de convivência e lazer que estimulem o sentimento de pertencimento, para que a comunidade tenha o desejo de cuidar e permanecer”, disse.

 

O antropólogo Rahul Srivastava, da organização URBZ, que desenvolve um projeto em Dharavi, classificou a Jornada da Habitação como “uma ocasião histórica”. “A Prefeitura de São Paulo mudou sua política habitacional para mostrar que a favela é uma comunidade válida. É uma nova linguagem: a partir do diálogo com as pessoas, mudou e melhorou suas comunidades.”

 

Essa troca também foi destacada pela superintendente de Habitação Popular, Elisabete França: “Nosso trabalho é um aprendizado constante. Hoje, conseguimos nos reunir e conversar com todas as lideranças locais”. Genilso Ferreira da Silva, líder comunitário do Jardim Colombo, núcleo do Complexo Paraisópolis, completou: “Hoje, as pessoas daqui têm orgulho e encaram o lugar como seu”.