Má distribuição de espaços de ciência e tecnologia influenciam interesse da população pelo tema

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Publicado segunda-feira, 10 de janeiro de 2011 as 18:35, por: cdb

Brasília – Uma pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia revelou que 36,8% dos brasileiros não visitam ou participam de evento científico porque não existe um espaço desse tipo onde vivem. De acordo com os dados, apenas 8,3% já foram a um museu ou centro de ciência e tecnologia e 4,8% participaram da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, evento promovido pelo governo federal em que são mostradas as experiências científicas e tecnológicas de institutos de pesquisa, universidades e de escolas do ensino fundamental e médio.

O locais mais procurados pelos entrevistados quando buscam conhecimento são as bibliotecas (28,7%) e os jardins zoológico e botânico, cerca de 22% cada um. O coordenador da pesquisa, Ildeu Moreira, que dirige o Departamento de Popularização e Difusão da Ciência e Tecnologia do ministério, reconhece a má distribuição dos espaços de ciência e tecnologia no país. Segundo ele, a maioria está no Rio de Janeiro e São Paulo, enquanto a Região Norte sequer tem um planetário ou museu.

Ele espera que os resultados da pesquisa sirvam para estimular programas de expansão de museus científicos e tecnológicos. O professor sugere também melhor aproveitamento dos espaços visitados pelos brasileiros. “Vamos aproveitar que as pessoas vão para o jardim zoológico ou botânico para ensinar ciência”, afirmou.

Os dados fazem parte da pesquisa feita, de junho a julho de 2010, pelo ministério e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Foram ouvidas 2.016 pessoas, com idade superior a 16 anos e diferente nível de escolaridade e renda.

A pesquisa mostra que a maior parte da população também não sabe o nome de cientistas e instituições científicas brasileiras. Quase 82% não souberam citar o nome de uma instituição que se dedique à pesquisa no país. As instituições mais mencionadas pelos 17,9% que se lembraram do nome de pelo menos uma foram o Instituto Butantan, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Petrobras.

Quando a pergunta era se o entrevistado conhecia algum cientista brasileiro, 87,6% disseram que não e somente 12,2% citaram um nome. Os mais lembrados foram Oswaldo Cruz, Carlos Chagas e Vital Brazil. “Não se discute a história da ciência e tecnologia nas escolas. Essa é uma deficiência grave”, disse o professor Ildeu Moreira.

Edição: Lana Cristina