Lula vai pedir a união da base aliada, diz Casagrande

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Publicado terça-feira, 30 de janeiro de 2007 as 12:26, por: cdb

Líder do PSB na Câmara, o deputado Renato Casagrande (ES) disse nesta terça-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve pedir união à base aliada para a votação das medidas provisórias e projetos de lei previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A relação entre os aliados está estremecida por causa das candidaturas de Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e Arlindo Chinaglia (PT-SP) à presidência da Câmara dos Deputados, ambos governistas.

– O presidente pode fazer um apelo aos partidos da coalizão para que se reaglutine a base o mais rápido possível após a eleição na Câmara – afirmou o líder ao chegar ao Palácio do Planalto para reunião do presidente Lula com os partidos aliados do Conselho Político da Coalizão sobre o PAC.

Insensatez

Ainda no PSB, o deputado eleito Ciro Gomes (PSB-CE) disse, nesta terça-feira, que pretende trabalhar nas próximas horas na busca de um “entendimento” entre Aldo Rebelo (PC do B-SP) e Arlindo Chinaglia (PT-SP), ambos candidatos da base aliada na disputa à Presidência da Câmara. A eleição acontecerá na quinta-feira. Segundo o parlamentar, se não houver um acordo, a divisão da base aliada poderá “ser irreversível” e os prejuízos serão contabilizados pelo governo. O ex-ministro considerou uma “insensatez” a falta de acordo entre Aldo e Chinaglia.

– Estou preocupado porque a eleição para a Mesa da Câmara não é a única discussão que está em jogo aqui. O que está em discussão é a qualidade do governo Lula, que dependerá de um bom cimento político que nós estamos tentando montar. Nesta perspectiva, acho uma insensatez que duas forças políticas aliadas não encontrem uma fórmula, ainda que complexa, de sairmos desse episódio unidos – disse ele a jornalistas, pela manhã.

Os dois candidatos foram líderes do governo na Câmara e um deles, Aldo Rebelo, ministro das Relações Institucionais, lembrou o ex-ministro.

– Fatalmente o governo sairá derrotado do processo. Vou só simular. O líder do governo Lula (Chinaglia), numa das possibilidades, estaria derrotando o ex-líder do governo, o ex-ministro e presidente da Câmara que atuou de forma fiel no momento em que o presidente Lula estava ameaçado de impeachment – afirmou.

Um outro cenário seria ainda pior.

– Outra circunstância: o atual presidente da Câmara [Aldo] estaria o líder do governo Lula, que também prestou serviços importantes no momento em que fomos agredidos de fora para dentro – afirmou.

Na avaliação de Ciro, o candidato da oposição, o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), é “qualificadíssimo” para exercer o cargo de presidente da Câmara, o que torna a disputa a divisão da base ainda mais perigosa.

– O deputado Fruet tem todas as virtudes para ser presidente da Casa. O problema pé que sua eleição significaria uma lesão estratégica ao governo Lula porque ele milita na oposição – disse.