Lula vai para Cuba se encontrar com Fidel

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Publicado sexta-feira, 26 de setembro de 2003 as 00:25, por: cdb

O presidente de Cuba, Fidel Castro, receberá nesta sexta-feira em Havana com os braços abertos seu amigo Luiz Inácio Lula da Silva, que deseja aumentar os laços econômicos com a ilha caribenha e tratar de reinseri-la na América Latina.

Antes de seu regresso ao Brasil, após participar da Assembléia Geral da ONU e de se reunir, na última quinta-feira, com o presidente mexicano, Vicente Fox, Lula aproveitará para fazer sua primeira visita como chefe de Estado a Cuba, onde esteve várias vezes.

A intensa agenda de seus dois dias em Cuba contempla ao menos duas reuniões com Fidel – que conhece há décadas -, a assinatura de vários acordos econômicos e uma apresentação em um fórum de empresários brasileiros.

Lula terá na visita de caminhar na corda-bamba para não prejudicar nem suas delicadas relações com Washington, que defende uma postura dura em relação ao governo de Fidel, nem suas ambições de se afirmar como líder regional. Lula chega a Havana com a intenção de aumentar o comércio bilateral e de respaldar a reinserção de Cuba na comunidade européia.

– Lula está convencido da importância de não deixar Cuba de Fora – disse esta semana o embaixador brasileiro em Cuba, Tilden Santiago.

Para Cuba, a visita tem uma importância fundamental, segundo diplomatas ocidentais, pois ocorre poucos meses após a onda de críticas a Fidel pela repressão contra a dissidência.
 
Ainda que não esteja previsto na agenda, o tema da repressão contra a dissidência ganha importância crescente na visita de Lula, pois muita gente quer ver se ele fará referência com o amigo à delicada questão dos direitos humanos na ilha.

Lula recebeu vários pedidos para que se reúna com líderes da oposição cubana e interceda a favor da libertação dos 75 oposicionistas condenados em abril a penas de até 28 anos de prisão, acusados pelo governo comunista de conspirar a favor dos Estados Unidos.
 
Pedidos de clemência como o do papa João Paulo II não foram escutados pelo governo cubano, mas as mulheres dos presos têm esperança que Lula consiga algo. A diplomacia brasileira, porém, enfatiza o caráter econômico da visita.

Segundo o Itamaraty, Lula assinará ‘um conjunto de acordos e novos instrumentos de cooperação bilateral nas áreas de saúde, pesca, turismo, esportes e educação’. Também está previsto um acordo para amortizar a dívida cubana com o Brasil, por volta de US$ 40 milhões, com uma porcentagem fixa das exportações cubanas.

Na quinta, o teólogo Frei Betto, assessor especial da presidência, falou em Havana sobre o Fome Zero.