Lula vai levar texto das reformas pessoalmente ao Congresso, em abril

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Publicado quinta-feira, 27 de março de 2003 as 22:17, por: cdb

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que vai antecipar, para o mês de abril, a entrega das propostas de reforma tributária e previdenciária ao Congresso Nacional. Ele convocou os 27 governadores a acompanhá-lo no dia da entrega das propostas. “Vou cumprir tudo o que prometi na campanha. Maioria no Congresso se constrói. Vamos fazer o que tem que ser feito, pois sem as reformas o Brasil não dará o salto de qualidade que precisa dar”.

Em seu discurso na cerimônia de posse do presidente da Associação Comercial de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, Lula convocou os empresários a fazerem um “lobby saudável” no Congresso Nacional para cobrar dos parlamentares o que é de interesse do conjunto da sociedade, a aprovação das reformas. Ele destacou que não se faz mudanças com pressa.

– Aprendi que apressado come cru. Se for de oposição, pode fazer bravata, porque não vai executar – afirmou Lula, ao destacar que quem está no poder tem que fazer as mudanças bem feitas. O presidente reafirmou a importância da aprovação das reformas como forma de fazer justiça social.

Lula disse que, quando pensa na reforma previdenciária, não se preocupa com quem hoje tem 50 anos, mas sim com o fato de que, daqui a 20 anos, nem União, nem Estados, nem municípios poderão honrar os compromissos previdenciários.

– Um presidente da República não tem que pensar em seu mandato, mas em seu país – afirmou.

Lula afirmou que o Brasil está dando uma chance a si mesmo e destacou a melhora que o país tem apresentado recentemente, lembrando que a taxa de risco do ano passado era duas vezes maior que as da Colômbia, em quase situação de guerra, e que o dólar chegou quase a R$ 4,00. Para ele, não é possível que um país com a competência e a base intelectual do Brasil seja analisado por agências internacionais que o colocam atrás de outros que não tem 20% do seu potencial. Ele disse que isso mostra desconhecimento da realidade brasileira. “Precisamos recuperar a auto-estima de 175 milhões de brasileiros”.

O presidente voltou a afirmar que o Brasil não pode se relacionar com os países desenvolvidos como se fosse inferior. Ele disse que os governantes do Terceiro Mundo não devem culpar os países ricos por seus problemas, mas destacou que os países desenvolvidos têm suas responsabilidades quando impõem barreiras tarifárias. “Neste caso devemos fazer com que sejamos respeitados com igualdade e é necessário que enfrentemos de verdade, a situação na Organização Mundial do Comércio (OMC)”, afirmou.

Guerra no Golfo

Lula criticou a guerra no Iraque, afirmando que os Estados Unidos atuariam melhor contra o terrorismo se fizessem política social. Lula afirmou, em tom descontraído, que o ideal seria governar um país pequeno, mas com o Produto Interno Bruto norte-americano. Segundo ele, se o governante não tem dinheiro suficiente, tem que utilizar a criatividade. O presidente criticou também as pessoas que afirmavam que ele não tinha “quadros” para compor o governo e respondeu, brincando, que “não precisava de quadros, porque não estava montando uma exposição de arte”.

O presidente revelou que, quando convidou Roberto Rodrigues para ser ministro da Agricultura e Luiz Fernando Furlan para ocupar a pasta de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, não perguntou em quem eles iriam votar, mas pediu que vendessem o país. “Não vender, como em casos de privatização, como foi feito, mas sim vender a nossa cara e a nossa tecnologia”.
Lula destacou algumas personalidades que compõem a área social de seu governo e afirmou que nenhum país irá se desenvolver, se não investir na educação. Para ele, o papel do Estado deve ser de indutor, e não de executor.

Ele voltou a destacar a importância de combater o crime organizado, ao afirmar que é preciso procurar os “peixes grandes”. Ele lembrou que algumas pessoas são presas em aeroportos, portando drogas, mas não se consegue chegar com a mesma facilidade aos mandantes do crime organizado. “Quem é