Lula vai defender a criação de fundo de combate à fome na reunião do G-8

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Publicado sábado, 31 de maio de 2003 as 13:39, por: cdb

Depois de sugerir no início deste ano durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, a criação de um Fundo Mundial de Combate à Fome, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer ver a sua idéia colocada em prática.

O presidente vai aproveitar a reunião do G-8 que tem início neste domingo em Evian, na França, para propor mecanismos que permitam, além de viabilizar a criação do Fundo, a sua sustentação.

Uma das hipóteses que deve ser apresentada pelo presidente para compor o Fundo é a transferência de 50% dos juros e encargos financeiros das dívidas externas dos países em desenvolvimento.

A idéia seria transformar os valores pagos pelas nações pobres durante os acertos das dívidas em títulos comprados pelos países financiadores. Lula também defende que 1% de todas as despesas mundiais com armamentos seja direcionado ao Fundo de Combate à Fome.

Além de pedir maior empenho dos países ricos no combate à fome, o presidente vai cobrar o fim dos subsídios agrícolas. Na opinião de Lula, só com o fim das barreiras impostas no comércio internacional as nações em desenvolvimento poderão reduzir as desigualdades sociais.

– O recado que eu vou levar é que a melhor ajuda deles para acabar com a fome e a miséria em nossos países não é esmola ou tapinhas nas costas, mas o fim das barreiras à entrada dos nossos produtos – afirmou Lula logo após reunião de trabalho com o seu colega do Uruguai, Jorge Batlle, no início de maio, em Brasília.

O presidente brasileiro será uma espécie de “porta-voz” do Mercosul. O fim dos subsídios agrícolas é hoje uma das principais reivindicações dos países que compõem o bloco econômico. Segundo o presidente Batlle, Lula terá “cartão-verde” para negociar com o G-8 em nome de todas as nações do Mercosul.

O grupo, formado pela França, Itália, Grã-Bretanha, Estados Unidos, Alemanha, Japão, Canadá e Rússia, pretende debater, além de temas econômicos da atualidade, questões políticas que influenciam hoje o mercado internacional, como o pós-guerra no Iraque.

O presidente Lula quer aproveitar a visibilidade do encontro para mostrar, mais uma vez, o seu empenho no combate à fome e às desigualdades sociais no Brasil e no mundo.