Lula vai a encontro da Comunidade Andina com pouco a oferecer

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Publicado quinta-feira, 26 de junho de 2003 as 14:27, por: cdb

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca nesta sexta-feira em El Carmen del Viboral, na Colômbia, para uma participar da 14ª Reunião de Cúpula da Comunidade Andina de Nações (CAN).

Primeiro chefe de Estado estrangeiro a ser convidado para um encontro do grupo andino, Lula terá muito a discursar em favor da integração sul-americana – o principal eixo de sua política externa. Mas, terá pouco a oferecer de concreto.

Até o momento, a ajuda mais esperada pelos sócios do bloco vizinho de seu novo líder, os financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para obras de infra-estrutura ou para as suas exportações, continua submetida a um processo embrionário de análise de garantias e de negociações técnicas.

O presidente deverá permanecer cerca de 18 horas na Colômbia, de onde seguirá para a Festa do Boi de Parintins, no Amazonas.

Será o tempo suficiente para acentuar mais uma vez seus recados em favor da maior integração sul-americana durante a reunião de trabalho dos chefes de Estado da CAN – os presidentes da Bolívia, da Colômbia, do Equador, do Peru e da Venezuela – e para repetir que o Brasil não mantém pretensões hegemônicas na região.

Convidado pessoalmente pelo presidente colombiano, Álvaro Uribe, Lula participará ainda de um jantar protocolar, e embarcará de volta ao Brasil por volta das 9 horas de sábado.

Há exatamente uma semana, em Washington, Lula recebeu o aval do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, à sua iniciativa de movimentar-se como líder de um processo de integração na região.

Para a Casa Branca, esse objetivo poderá resultar em crescimento econômico e estabilidade política para uma área do globo submetida a sobressaltos com consequências sérias nas últimas décadas.

Respaldado pelos Estados Unidos, com quem a maioria dos países andinos não quer confusão e espera muita ajuda e colaboração, Lula deverá enfatizar sua vontade política de estimular o diálogo, a cooperação e a integração física e comercial entre o Mercosul e a CAN.