Lula teve noite de tango e assédio na Argentina

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Publicado terça-feira, 3 de dezembro de 2002 as 14:11, por: cdb

O último compromisso do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, na visita-relâmpago que fez à Argentina aconteceu em uma das mais tradicionais casas de tango do país. Um compromisso fora de agenda e que reuniu apenas a comitiva do presidente eleito, além do embaixador do Brasil, José Botafogo Gonçalves.

Em La Cumparsita, um “tango bar” em San Telmo, um dos mais famosos bairros de Buenos Aires, o presidente eleito e a futura primeira-dama, Marisa, assistiram a um espetáculo com a participação-surpresa do motorista do embaixador brasileiro, o argentino Mariano Alcantara, que cantou “La ultima copa” (A última taça).

Depois de uma segunda-feira de exposição máxima, com encontros na Presidência, Congresso e Prefeitura, Lula preferiu a privacidade, fechando a pequena casa de tango apenas para cerca de 20 pessoas, sem a presença de jornalistas. O passeio, que teria sido um desejo de Marisa, durou aproximadamente uma hora e meia, encerrando-se depois da meia-noite.

Até perto das 22h30 o presidente eleito havia participado da recepção organizada pela diplomacia brasileira na residência do embaixador. Lula cumprimentou empresários do Brasil instalados na Argentina, lideranças sindicais locais e até o ex-presidente Raúl Alfonsín.

Líder da terceira maior central sindical argentina, a CTA, Victor de Genaro recebeu cumprimentos efusivos de Lula, que o convidou para a cerimônia da posse em 1o de janeiro. Genaro, velho amigo do presidente eleito, ainda não sabe se poderá comparecer ao evento por causa das festividades de fim de ano.

Importante liderança do empresariado brasileiro na Argentina, Eloi Rodrigues de Almeida, presidente do Grupo Brasil, esteve na embaixada depois de ter participado, na residência oficial de Olivos, de almoço oferecido a Lula pelo presidente Eduardo Duhalde.

O almoço, segundo Almeida, contou com cerca de cem pessoas, para as quais o presidente eleito reforçou a importância do Mercosul no posicionamento de Brasil e Argentina frente à comunidade internacional. O comércio bilateral, que hoje representa menos de 7 bilhões de dólares, era mais que o dobro disso em 1997, relembrou o empresário.

Além das formalidades, o presidente eleito voltou a quebrar todos os protocolos e, cedendo ao chamado de cerca de 20 populares que se instalaram na rua da embaixada, desceu para abraços e fotos. Jovens brasileiras e cidadãos argentinos afirmaram a Lula que têm muita fé nele. O presidente eleito comoveu-se, mas não chegou a chorar.

Durante todo o dia ele já havia sido assediado por populares nos eventos realizados no centro de Buenos Aires, onde estão a Prefeitura e o Congresso Nacional. Mães e avós da Praça de Maio, cidadãos brasileiros e funcionários da Prefeitura arrancaram de Lula saudações e retribuíram com palavras de incentivo ao novo presidente.

Os jornais argentinos desta terça-feira estampam na primeira página a promessa do novo governante brasileiro de recuperar o Mercosul.

Mas uma lembrança especial da primeira viagem de Lula ao exterior como presidente eleito ficará com a embaixada brasileira, onde ele posou para fotos tanto com a equipe de diplomatas como com o pessoal da cozinha.

Nesta terçda-feira, Lula segue para o Chile. Estão previstos encontros com o presidente Ricardo Lagos e com a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal). Haverá recepção também na embaixada brasileira em Santiago. O presidente eleito volta ao Brasil na quarta-feira.