Lula tem má vontade com o Judiciário, diz Maurício Corrêa

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Publicado quarta-feira, 8 de outubro de 2003 as 21:04, por: cdb

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Maurício Corrêa, voltou a reagir duramente à proposta da relatora da ONU, Asma Jahangir, de enviar um grupo de observadores das Nações Unidas para investigar o Poder Judiciário brasileiro e disse que o apoio do governo à iniciativa mostra a má vontade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o Judiciário.

– Eu acho estranho que o presidente da República tenha afirmado que tenha gostado disso. Aliás, ele tem falado de caixa-preta, isso e aquilo, tem feito afirmações ao longo desse início de mandato que já demonstram a sua total má vontade com o Poder Judiciário – disse.

Segundo Corrêa, Lula está levando para o governo as diferenças pessoais entre os dois. 
 
– As questões institucionais são por mim respeitadas. O que o presidente da República tem demonstrado é que ele, em face das críticas que eu fiz, não tenha assimilado isso e tenha transformado essa idiossincrasia pessoal numa idiossincrasia institucional, o que é um absurdo – afirmou.

Perguntado sobre a possibilidade de fazer as pazes com Lula, Maurício Corrêa disse que não há necessidade disso porque não há briga com o Poder Executivo, mas disse que os dois precisam ter respeito.

– Da minha parte, não há necessidade de fazer as pazes porque não tem briga com o Poder Executivo. O que há é a necessidade de se respeitar. Ele (Lula) faz críticas ao Poder Judiciário, e contundentes, e entretanto não gosta que eu faça críticas a ele. Isso é um absurdo. O que é estranhável é que o presidente da República tenha endossado o que ela (Asma Jahangir) falou a respeito dessa inusitada inspeção dentro do Poder Judiciário. Evidentemente que eu repilo, em nome do Poder Judiciário, isso que eu entendo como uma verdadeira agressão à nossa independência e harmonia, como determina a Constituição – afirmou.

Maurício Corrêa voltou a dizer que a relatora não conhece o funcionamento do Judiciário do brasileiro e pode ter julgado uma ação isolada para chegar a uma opinião sobre o Judiciário como um todo.

– É uma afirmação indébita e atrevida de uma pessoa que não conhece o funcionamento do Judiciário. Ela pode ter julgado uma ação isolada para chegar a uma afirmação estapafúrdia como essa. Ela está no Brasil há pouco tempo, não conhece a estrutura do Poder Judiciário e, portanto, não tem legitimidade nenhuma para dizer que o Judiciário é bom ou é mau aqui – completou.