Lula tem a pior avaliação desde a posse

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Publicado terça-feira, 21 de outubro de 2003 as 13:34, por: cdb

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve sua pior avaliação desde o início do mandato, em janeiro. Segundo uma pesquisa do Instituto Sensus encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), realizada em outubro, a avaliação positiva caiu de 48,3%, em agosto, para 41,6%, em outubro. Já a negativa subiu de 10% para 12,3%.

O índide de pessoas que consideram o desempenho regular aumentou de 38,6% para 42,3% este mês. A aprovação do desempenho pessoal do presidente também caiu, passando de 76,7% para 70,6%, enquanto a desaprovação subiu de 16,2% em agosto para 20,8%.

A pesquisa revela também que a maioria dos entrevistados (81,5%) acredita que os impostos no país são altos e que os recursos não são bem utilizados. Quase metade disse desconhecer a reforma tributária. O desarmamento, que também foi questionado pela pesquisa, é aprovado por 74% das pessoas.

Na opinião do presidente da CNT e vice-governador de Minas Gerais, Clésio Andrade (PL), a queda pode ser explicada por um conjunto de fatores, como a demora na aprovação das reformas e uma percepção de que o atual governo pode seguir um caminho muito parecido com o anterior.

“A avaliação ainda é alta. Provavelmente esta queda significativa se deve à morosidade das reformas, ao episódio Benedita e também ao fato de que as pessoas já começam a raciocinar em relação ao governo passado e ver que tudo pode ir caminhando para o mesmo lado”, disse Andrade.

O “episódio Benedita” se refere à viagem à Argentina, com recursos públicos, da ministra da Assistência Social, Benedita da Silva, para participar de um ato religioso, de caráter pessoal. “Há uma tendência de queda, a não ser que haja resposta. A população não vê muitas respostas, como na questão do emprego e a própria recessão”, acrescentou Andrade.

A margem de erro da pesquisa é de 1 ponto percentual na faixa até 10% e acima de 90%. Na faixa de 10% a 30% e de 70% a 90%, ela é de 2 pontos. De 30% a 70%, a margem é de 3 pontos.

O Instituto Sensus entrevistou duas mil pessoas entre os dias 15 e 17 de outubro em 195 municípios das cinco regiões brasileiras.