Lula tem 85,4% de aprovação dos brasileiros

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Publicado sexta-feira, 7 de março de 2003 as 18:32, por: cdb

Pouco mais de 50 dias à frente do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva permanece com sua popularidade em alta junto à população, segundo pesquisa da Brasmarket Análise e Investigação de Mercado.

De acordo com o levantamento realizado em todas as capitais, cidades de regiões metropolitanas e Distrito Federal, em que 2.637 pessoas foram ouvidas em 27 de fevereiro, Lula tem 85,4% de respaldo popular sobre a forma com que conduz seu governo até o momento.

“O presidente mantém a confiança dos brasileiros nesse início de governo. Seu índice de aprovação é muito alto, superior aos dos primeiros dias dos ex-presidentes Fernando Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso. Só fica abaixo de José Sarney, que teve uma alta por um curtíssimo tempo com o lançamento do Plano Cruzado”, comenta o analista Sidney Kuntz Jr.

Do universo de entrevistados, 21,7% responderam que “Lula tem acertado e feito o que é possível”, e que “está confiante e não tem nenhuma dúvida de que ele fará um bom governo”. Outros 19,5% disseram que “Lula tem acertado mais do que errado e enfrenta dificuldades herdadas do governo anterior”, e que “está confiante e não tem dúvidas de que ele corrigirá os desacertos e fará um bom governo”.

A maior quantidade de escolhas em uma resposta, com 44,2%, foi a de que “O governo de Lula tem seus acertos e seus erros”, e que “está muito satisfeito, mas acha que é cedo para julgar, que Lula é bem intencionado e ainda tem esperança que ele seja capaz de superar os problemas, corrigir os rumos e fazer um bom governo”.

O índice de rejeição do presidente ficou em 14,6% entre os entrevistados. Entre os insatisfeitos, 7,4% responderam que “O governo tem errado mais do que acertado” e que “tem dúvidas e torce para que tudo dê certo, mas acha que Lula não fará um bom governo e não cumprirá as promessas de campanha”.

Outros 7,2% apontaram a alternativa “o governo de Lula tem discurso novo mas atitudes e medidas iguais às do governo anterior” e que “acha que ele não tem capacidade, apoio, conhecimento ou a experiência necessária para cumprir suas promessas de campanha e acha que ele fará um mau governo”.

Para Kuntz, o segmento com maior quantidade de repostas também será o que vai ditar os rumos da popularidade do governo nos próximos meses. “Será essa camada da população que terá uma visão mais detalhada do governo e migrará conforme os acertos e erros do governo conforme suas expectativas”, sustenta. “Somente após seis meses o governo estará totalmente aclarado, e aí sim, saberemos se os anseios foram atendidos”, complementa.

O especialista analisa que, até o momento, uma forte campanha de marketing e a ação comedida da oposição têm permitido ao governo manter-se com alto grau de popularidade e aceitação do eleitorado.

“Deu muito certo a propaganda governamental na mídia que afirmava ainda ser muito cedo para se avaliar o governo e que não se destrói uma casa inteira para depois reformá-la”, observa.

Sobre a estratégia da oposição, Kuntz avalia ter se mostrado ineficiente a iniciativa de equiparar as ações do governo Lula com as de seu antecessor.

“A dimensão do apoio popular conferido a Lula indica o fracasso da estratégia tucana em tentar nivelar as medidas e atitudes de Lula às do governo FHC, para tornar implícito o conceito de que, em sua essência, o novo governo não representa nenhuma mudança e segue o receituário econômico de seu antecessor”, comenta a pesquisa.

Kuntz pondera, no entanto, que a estratégia de oposição tem se colocado de forma inteligente. “Bater em proposta do governo que ainda está em teste, ou sendo discutida, não tem efeito. A oposição tem sabido avaliar, mensurar as propostas do governo, e saberá também identificar o quanto poderá ser realizado da proposta inicial de Lula para, assim, iniciar os ataques”, analisa.

Ele adiciona que não causou dano a imagem do presidente as manifestações de insatisfação de alas radicais do partido sobre a condução do gove