Lula suspende reforma ministerial para esperar definição do PMDB

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Publicado quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007 as 21:55, por: cdb

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou nesta quinta-feira a dirigentes do PSB que só vai definir a reforma ministerial em meados de março, depois da convenção nacional em que o PMDB escolherá sua nova direção.

De acordo com o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, Lula decidiu esperar a convenção do PMDB, em 11 de março, para saber qual a corrente mais forte no partido a do atual presidente, deputado Michel Temer (SP) ou a do presidente do Senado, Renan Calheiros (AL).

– A equação é simples: o presidente só vai desenhar a equipe depois que tiver clara a situação interna do PMDB, maior partido do Congresso e da coalizão, para saber quem serão seus interlocutores -, disse Campos depois da audiência dos socialistas com Lula.

O aviso de Lula contrariou a expectativa criada pelos aliados de Temer e por dirigentes do PP, PR e PTB, aliados que conversaram com Lula sobre a reforma antes do Carnaval. Eles esperavam que o novo ministério fosse anunciado na primeira semana de março.

– O presidente ainda não terminou sequer a primeira rodada de conversas com os partidos, ainda falta falar com o PT. Ele quer fazer uma segunda rodada e aguardar o resultado do PMDB -, acrescentou Campos.

Michel Temer é candidato à reeleição e deve disputar a presidência na convenção do PMDB com o ex-ministro Nelson Jobim (RS), apoiado por Renan. O grupo de Renan e do ex-presidente José Sarney (AP) indicou os atuais ministros de Minas e Energia, Saúde e Comunicações.

O grupo de Temer quer indicar o futuro ministro da Saúde. Numa audiência há duas semanas, Lula disse a Temer e outros dirigentes que o PMDB manteria a sua cota e deveria ganhar mais um ministério, para a bancada da Câmara.

O nome mais forte para a quarta vaga é o do deputado Geddel Vieira Lima (BA), aliado do governador petista Jaques Wagner. O ministério cobiçado é o da Integração Nacional, ocupado hoje pelo PSB.

A audiência dessa quinta-feira durou quase três horas e foi a mais longa conversa de Lula com dirigentes de um dos onze partidos da coalizão. O encontro foi precedido por declarações de socialistas à imprensa, condenando a entrega da Integração Nacional ao PMDB.

Além de Campos e Amaral, participaram do encontro os líderes do PSB na Câmara, Márcio França (SP), e no Senado, Renato Casagrande (ES), o líder do Governo na Câmara em exercício, Beto Albuquerque (PSB-RS), e o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro.