Lula recusa afastamento e demite Palocci

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Publicado segunda-feira, 27 de março de 2006 as 17:59, por: cdb

Já na condição de ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho deixou o seu gabinete, na tarde desta segunda-feira, após pedir o seu afastamento do cargo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com a saída do cargo, o principal articulador da eleição vitoriosa de Lula, em 2002, perde também foro privilegiado para responder às denúncias de corrupção que enfrenta desde o ano passado e passa a responder os processos na Justiça comum. Assume a pasta, no lugar de Palocci, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Guido Mantega.

O depoimento do presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, à Polícia Federal à tarde, sobre a quebra de sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa, teria sido decisivo para a atitude do então ministro. O executivo da CEF teria admitido Costa afirmou, em depoimento, ter visto Palocci por diversas vezes em uma casa no Lago Sul, em Brasília, freqüentada pelos seus ex-assessores Vladimir Poleto e Ralf Barquete. O local teria sido alugado para a promoção de festas e encontros de negócios escusos.

Palocci acompanha a trajetória do presidente desde a fundação do PT. Ele estava cotado para dirigir a campanha de Lula à reeleição, mas os fatos, segundo observadores, impedirão a presença de Palocci na linha de frente da tentativa de o presidente permanecer no cargo por mais quatro anos. O ex-minisatro ajudou na condução do PT ao centro, após se afastar gradativamente da esquerda mais radical, hoje em sua maioria no Partido do Socialismo com Liberdade (PSol), liderado pela senadora Heloisa Helena.

A militância do ex-ministro, no entanto, começou na esquerda armada. Ele chegou a militar na facção comunista Liberdade e Luta (Libelu), de tendência trotskista, e entrou no PT em 1981. Carca de 20 anos depois, em 2002, após assumir a coordenação do programa de governo de Lula, no lugar do prefeito de Santo André, Celso Daniel, assassinado em janeiro daquele ano, o discurso mudou. Ele coordenou a equipe de transição do governo e, em seguida, foi nomeado para o Ministério da Fazenda. Ao deixar a pasta, Palocci é mais uma baixa no “núcleo duro” do PT, após a cassação de José Dirceu e o afastamento de Luiz Gushiken, que deixou a Secretaria de Comunicação para assumir ao Núcleo de Assuntos Estratégicos. Apenas Luiz Dulci (Secretaria Geral) permanece no posto original.