Lula recebe pedido do grupo “Tortura Nunca Mais”

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Publicado quarta-feira, 26 de março de 2003 as 16:03, por: cdb

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta quarta-feira pedido do grupo “Tortura Nunca Mais”, de Goiânia, para ampliar a abrangência da Lei de Mortos e Desaparecidos (Lei 10.536, de agosto de 2002), que reconhece os mortos e desaparecidos durante o regime militar.

Ao chegar ao Palácio da Alvorada para almoçar, Lula desceu do carro e recebeu o pedido das mãos do presidente do grupo, Waldomiro Batista.

O objetivo do “Tortura Nunca Mais” é estender os benefícios da lei a líderes políticos e rurais que morreram em manifestações públicas ou emboscadas até o ano de 1988, quando foi promulgada a atual Constituição.

A atual lei já reconhece o período para indenizações, mas limita-se a mortos e desaparecidos em dependências militares. O grupo deseja que as famílias de pessoas que tenham morrido em passeatas ou outros atos públicos até o ano de 1988 possam receber indenizações.

“Tenho certeza de que ele vai honrar seu passado de esquerda e vai nos ajudar a desatar esse nó”, garantiu Waldomiro Batista, ao referir-se ao presidente Lula.

Waldomiro teve o irmão Marcos Antônio Batista morto aos 15 anos, no período da ditadura militar. Sua família já foi indenizada. O grupo também exibiu ao presidente Lula uma faixa com sua foto abraçado a Nativo Natividade, morto em uma emboscada em 1985 e um dos fundadores do PT em Goiânia.

“Se a lei for ampliada, a viúva de Nativo será beneficiada”, ressaltou Waldomiro.

O presidente abraçou a viúva do líder rural, que ficou muito emocionada, e prometeu encaminhar ainda esta quarta-feira ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, o pedido do grupo.