Lula pisa no acelerador, mas não muda condução da economia

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Publicado segunda-feira, 5 de dezembro de 2005 as 21:29, por: cdb

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou aos ministros da coordenação de governo, nesta segunda-feira, que a prioridade do governo no último ano será buscar maior crescimento da economia, sem alterar a política geral de estabilidade e a meta de superávit primário. Segundo um dos ministros que participaram da reunião, Lula quer incrementar investimentos privados e públicos, para tentar um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) acima das expectativas de mercado, de 2,66% em 2005 e 3,5% para 2006, de acordo a pesquisa semanal do BC.

O repertório é pequeno, reconheceu a autoridade, mas deve incluir uma redução na Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que remunera os financiamentos do BNDES. Mantida fixa nos últimos meses, a TJLP vem perdendo seu diferencial frente à taxa de inflação, argumentam defensores da redução.

– Hoje há uma unanimidade em torno da queda das taxas de juros, tanto que alguns analistas prevêem uma seqüência de quatro cortes de 0,75 pontos percentuais. O presidente avisou no início do ano que era preciso crescer, deu garantias para a estabilidade e está à vontade para cobrar resultados. Ele não ia deixar o (ministro Antonio) Palocci acabar com o governo dele – comentou o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Apesar do comentário do líder, dois ministros asseguraram que, na coordenação de governo e em conversas individuais, Lula tem reconhecido o desempenho da equipe econômica, inclusive em relação à política monetária, apontada como restritiva.

– Se há folga para reduzir a taxa básica, quando e em quanto, isso será tratado tecnicamente no local adequado. Pode ter havido um erro de posologia (administração de medicamento), mas não de diagnóstico na política monetária. Por isso, tanto o presidente quanto o ministro Palocci falam em ajustar a dosagem, mas não em mudar os rumos da economia – disse o ministro Jaques Wagner.