Lula negocia encontro entre Farc e ONU

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Publicado terça-feira, 16 de setembro de 2003 as 10:52, por: cdb

A rápida visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Cartagena, na Colômbia, nesta terça-feira, é vista pelo governo colombiano e pela imprensa local como uma alternativa ao processo de paz na região. Lula negociará um encontro entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e as Nações Unidas (ONU). A volta de Lula ao Brasil está prevista para quarta-feira.

De acordo com o jornal de Cartagena, El Universal, existe uma grande expectativa quanto aos impactos econômicos e políticos que poderão ser gerados pela interferência do presidente brasileiro nas negociações, que devem colocar frente a frente representantes dos dois governos, da ONU e os guerrilheiros das Farc. A meta de Lula e do presidente colombiano Álvaro Uribe é definir os detalhes do encontro que deve ocorrer ainda neste ano no Brasil.

Depois do encontro bilateral, previsto para ocorrer pela manhã em Cartagena, Lula participa da reunião da Organização Internacional do Café (OIC), que se realiza pela primeira vez fora da sede, em Londres. O presidente do Brasil, junto com o colega colombiano, Álvaro Uribe, e o presidente de Honduras, Ricardo Maduro, vão abrir oficialmente nesta terça-feira a cúpula do café da OIC, da qual participarão mais de 500 delegados de 60 países produtores e consumidores de café.

A presença do presidente brasileiro na cúpula mundial da OIC é uma prova de que o país deseja assumir novamente a liderança nas discussões relacionadas ao produto.

O presidente da Federação dos Produtores de Café da Colômbia (Federacafé), Gabriel Silva, disse que “se trata da recuperação da liderança política do Brasil na discussão internacional do café”.

“A presença de Lula significa, por suas preocupações sociais, por seu interesse na situação dos mais pobres, o testemunho mundial de que há uma grande angústia pela miséria em que vivem os cafeicultores”, afirmou o dirigente colombiano. Na sua opinião, houve uma grande transformação do ponto de vista do cafeicultor em relação à atitude adotada pelo Brasil nos últimos anos, que mostrava indiferença frente à crise do mercado de grãos e suas implicações sociais e econômicas.

“Lula é muito mais sensível às preocupações em relação ao café e mostrou isso no último ano, em que o nível de coordenação entre as autoridades da Colômbia e do Brasil foi completamente diferente da dos meses anteriores”, afirmou o presidente da Federacafé.

Trata-se da primeira vez que um presidente brasileiro atende a um conselho mundial de grãos, a máxima autoridade da Organização Internacional do Café (OIC), que completa 40 anos de criação. O Brasil é o principal produtor de café mundial, com uma oferta avaliada para este ano de entre 42 e 43 milhões de sacas de grão.

Segundo fontes oficiais, essa é a primeira vez que três presidentes de países que reúnem 52% da oferta mundial do produto abrem uma conferência da organização. A cúpula tem, entre outros objetivos, buscar fórmulas que permitam recuperar os preços internacionais do grão, que despencaram, ficando na média dos US$ 0,52 a libra.

Os delegados que participarão da reunião vão analisar, ao longo de cinco dias, as perspectivas de oferta e demanda de grão nos próximos anos, o controle de qualidade e adotarão um programa de promoção para recuperar o consumo mundial desta bebida, que estagnou nos últimos anos e até caiu em alguns países.