Lula garante que, se preciso, negocia pessoalmente pontos das reformas

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Publicado quinta-feira, 18 de setembro de 2003 as 22:56, por: cdb

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu nesta quinta aos líderes da base aliada que, se for preciso, abre as portas do Palácio do Planalto para negociar a aprovação das reformas com a oposição.

Segundo os senadores que estiveram reunidos por mais de uma hora com o presidente no Planalto, a abertura de canal de diálogo com a oposição tem como principal objetivo evitar as críticas de que o governo estaria usando um “rolo compressor” para aprovar as reformas no Senado, a exemplo do que teria feito na Câmara. “Não é nossa intenção fazer um rolo compressor passando por cima da oposição”, disse o senador Romero Jucá (PMDB-RR).

A preocupação do presidente em aprovar as reformas é tamanha que, segundo alguns líderes que participaram do encontro, ele não descarta a possibilidade de convocar o Congresso Nacional extraordinariamente, a exemplo do que fez em julho deste ano, durante a tramitação das propostas na Câmara dos Deputados.

” Ele trabalha com essa possibilidade”, disse um dos líderes. Segundo os senadores, Lula avaliou que o Brasil avançou muito nos primeiros oito meses de governo, e que se as reformas não forem aprovadas, o Brasil vai voltar à estaca zero.

O senador Hélio Costa (PMDB-MG) disse que o presidente já considera inevitável o fatiamento da reforma tributária. O líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), lembrou que a intenção do presidente é aprovar as duas reformas, por inteiro, até dezembro.

Caso a tramitação da reforma tributária leve mais tempo, Lula já aceita a aprovação dos pontos consensuais e a discussão mais lenta dos pontos polêmicos.

– Ele disse que tem que fazer todo o esforço para fazer o que for possível. Se não for possível, não será porque o governo quer, mas porque a dinâmica do processo legislativo não evoluiu – disse Calheiros.

As eventuais mudanças nos textos aprovados pela Câmara serão feitas, segundo os líderes, apenas em plenário. “Já que vamos mudar, poderíamos concretizar as mudanças no plenário, e não na Comissão de Constituição e Justiça”, ressaltou Calheiros.