Lula diz ser contra ampliação do grupo ‘Amigos da Venezuela’

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Publicado sábado, 18 de janeiro de 2003 as 19:38, por: cdb

Em meio ao agravamento da crise na Venezuela, o presidente Hugo Chávez viajou até Brasília neste sábado para discutir com Luiz Inácio Lula da Silva iniciativas destinadas a acabar com o conflito em seu país, mas não conseguiu convencer o presidente brasileiro quanto à ampliação do “grupo de amigos” de Caracas. Os dois presidentes conversaram por cerca de três horas e Chávez, dizendo-se satisfeito com os resultados, declarou à imprensa que Lula concordou em reconhecer o governo venezuelano como uma instituição democraticamente eleita e capaz de representar o país.

Por outro lado, Lula rejeitou o pedito de Chávez para que o Grupo de Países Amigos fosse ampliado, de modo a incluir Rússia, França, Jamacia, República Dominicana e Cuba.

O grupo, criado esta semana no Equador por idéia de Lula, é formado por Brasil, Estados Unidos, Chile, Portugal, Espanha e México.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, que participou da reunião, contou que Lula disse a Chávez que a formação do grupo levou em conta um “equilíbrio de diversas opiniões”.

“Com relação à ampliação do grupo, o presidente Chávez mais uma vez colocou as suas preocupações e seu desejo de que houvesse outros países que participassem”, informou Amorim. “Nós explicamos que o equilíbrio encontrado para a participação desses paises é um equilíbrio delicado, é um equilíbrio importante também para que sejam representadas diversas opiniões, porque esta é a única maneira de fomentar o diálogo”.

“Eu creio que ele entendeu os argumentos, mas continuou provavelmente achando que deveriam participar outros países, mas resolveu dar um crédito de confiança ao grupo como ele está funcionando”, acrescentou. “Provavelmente, Hugo Chávez manterá sua opinião de que no futuro ele possa ser ampliado, mas o futuro a Deus pertence”.

Ainda antes de seguir para o encontro com Lula na Granja do Torto, Chávez descreveu o grupo como “um embrião de países dos continentes americano e europeu” dispostos a achar uma saída para a crise na Venezuela.

Ainda assim, Chávez reiterou que não aceitará interferências na soberania venezuelana. “É interessante, mas os Estados Unidos devem entender claramente que existe um governo na Venezuela, presidido por mim”.

Chávez propôs ao presidente brasileiro – a quem chamou de “irmão e amigo – a inclusão de Rússia, França, Jamaica, República Dominicana e Cuba no grupo. Sobre a Rússia, Chávez disse que a Venezuela não queria que “um grande amigo” fique de fora da iniciativa, que, em sua opinião, deveria ter um caráter mais global.

Chávez lembrou que também tem uma “amizade pessoal” com o presidente da França, Jacques Chirac. Sobre Cuba, o presidente venezuelano nada falou – o que era, de certo, desnecessário. A afinidade entre Chávez e o presidente cubano Fidel Castro é notória; os dois chegaram a passar toda a madrugada conversando em Brasília, à época da posse de Lula, em 1º de janeiro.

Celso Amorim também disse que Chávez reconheceu a necessidade de que as negociações para solucionar os problemas de seu país respeitem a Constituição, a democracia e processos pacíficos. Sem isso, acrescentou, “nada funcionará, nem mesmo eleições, e isso foi plenamente entendido”.

Além de Amorim, participaram do encontro na Granja do Torto o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e o assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia.

A caminho do Brasil, Chávez deixou a Venezuela sob tensão agravada: na sexta-feira, por ordens suas, soldados do Exército assumiram o controle de uma engarrafadora e distribuidora da Coca-Cola, confirmando a promessa do presidente de adotar uma linha dura contra a greve geral para depor o seu governo. Chávez voltou a chamar a oposição venezuelana “de golpista, terrorista e subversiva”, pela greve que se estende há sete semanas.

Em virtude da ação militar, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, César Gaviria, anunciou a susp