Lula diz que não mudou ideologicamente

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Publicado terça-feira, 27 de maio de 2003 as 17:20, por: cdb

Em entrevista a jornalistas estrangeiros nesta terça-feira no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que mantém as mesmas visões políticas e ideológicas de sua trajetória política, mas que precisou se adaptar às exigências da vida.

“Eu não mudei ideologicamente, a vida é que muda”, afirmou o presidente aos jornalistas.

– Quando você casa, fica tudo dependendo da esposa. Se a esposa não gosta dos seus amigos, você acaba não vendo eles – exemplificou, ao comentar a situação econômica do país.

Juros

Segundo o jornalista Juan Arias, do El País, da Espanha, Lula defendeu a taxa básica de juros estabelecida pelo Banco Central. “Ele disse que não adiantava baixar agora e ter de subir novamente”. Ele argumentou que a redução de um ponto percentual da taxa provocaria apenas um efeito “psicológico”.

Lula, no entanto, se mostrou preocupado com as taxas de juros cobradas pelos bancos para a população. Ele mencionou, por exemplo, o juro do cheque especial, que nesta terça-feira bateu os 178%, maior taxa desde abril de 1999.

O presidente disse que o governo está empenhado em combater o crime organizado, mas se posicionou contra a ação do Exército nas ruas do Rio de Janeiro. “Um recruta de 20 anos não está preparado para ir às ruas”. Ao defender o Plano de Segurança Nacional, coordenado pelo Ministério da Justiça, ele disse “que a polícia foi criada para tratar de ladrão e não de crime organizado”.

Arias também relatou que o presidente estava curioso em saber sobre a imagem do Brasil no exterior. A resposta positiva dos correspondentes fez Lula dizer que acorda todos os dias otimista e que conseguirá realizar todos os seus projetos.

América Latina

Para o jornalista japonês Keiichi Homma, do jornal The Yomiuri Shimbun, Lula teria dito que a integração da América do Sul é a prioridade de seu governo na política internacional. Homma disse ainda que o presidente brasileiro apresentará no encontro do G-8, em Evian, na França, um projeto de criação de um fundo internacional de combate à pobreza.

Sobre o atual momento da América Latina, Lula afirmou que as mudanças na região deveriam ocorrer agora. “Uma nova chance só em 50 anos”.