Lula diz a sindicalistas que há coisas mais importantes do aumento salarial

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Publicado terça-feira, 26 de novembro de 2002 as 17:16, por: cdb

Em seu discurso para cerca de 500 sindicalistas que participaram de um encontro, em São Paulo,o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva disse que é muito mais importante para os sindicatos discutirem, por exemplo, a reforma tributária do que reivindicar aumento salarial. E acrescentou: “Temos que acabar com essa história do movimento sindical funcionar só em época de data-base e depois ficar um ano sem ter mais o que fazer”.

Para ele, os dirigentes sindicais têm de parar de pedir “o bem bom, onde a situação já está razoavelmente boa” para lutar por causas maiores, tais como as reformas estruturais para o País. Nem mesmo os presidentes da CUT, João Felício, e da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, escaparam das farpas de Lula. “O João Felício e o Paulinho ficam batendo boca e inundando a imprensa com suas brigas a respeito do imposto sindical.”

Segundo Lula, esse tipo de discussão é uma coisa menor, e garantiu: “estamos num momento em que precisamos de menos bravata e muito mais competência”, em referência às reformas profundas que o País precisa implantar. No final do discurso, Lula convocou os sindicalistas a se unirem em torno das grandes propostas de consenso que o País precisa implantar para voltar a crescer e gerar mais empregos.

Após o discurso, durante rápida entrevista tumultuada, Lula disse apenas que pretende governar com todas as centrais sindicais do País. “Sou presidente da República eleito, não sou presidente das centrais. Quero construir a unidade com a maior tranquilidade possível, convocar todos a participarem e é isso que vamos fazer com maior carinho.”

Novo salário-mínimo

Lula afirmou que as discussões em torno do reajuste do salário mínimo estão sendo feitas de forma antecipada. De forma contundente, Lula disse que “nada, nada mesmo” o fará deixar de falar a verdade ao povo brasileiro, por mais dura que seja a realidade. “Se pudermos dar um mínimo de R$ 240, vamos dar, mas se não puder, não daremos”. O presidente eleito garantiu que fará um governo baseado na lealdade com a população, tanto nos bons quanto nos maus momentos. “Não posso vender facilidades”, considerou ele.

Além de dizer que as discussões em torno do mínimo estão antecipadas, Lula deixou claro que não vai aceitar qualquer tipo de pressão para indicar ou antecipar os nomes de sua equipe de governo. “Sei a quantidade de toneladas que carrego nas costas”.

Segundo Lula, no País há apenas 25 ministérios e, entre os critérios que estão definindo a composição desse ministério, está também o seu critério pessoal.

– Se tiver que escolher para o mesmo cargo entre dois nomes de grande competência, vou ter que optar por aquele que tenho mais confiança – disse o presidente eleito.