Lula defende integração ‘efetiva’ na América Latina

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Publicado sábado, 27 de setembro de 2003 as 17:52, por: cdb

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva defendeu neste sábado, em reunião com um grupo de quase 600 brasileiros que estudam em Cuba, um processo de integração “efetiva” para América Latina. Além disso, ressaltou a importância do estabelecimento de novas alianças econômicas para o desenvolvimento do comércio e para a promoção de relações econômicas com outros países.

A reunião aconteceu na residência do embaixador do Brasil em Havana, Tilden Santiago, e transcorreu longe do protocolo habitual das visitas presidenciais. Lula, que faz sua primeira visita oficial como presidente do Brasil à ilha caribenha, conversou por cerca de uma hora com dezenas de estudantes de Medicina, Psicologia, Veterinária, Odontologia, esportes e balé. O presidente explicou-lhes os passos do Governo na política nacional e externa.

Lula disse que a nova política que está pondo em prática é focada na união com a América Latina, África e Oriente Médio. A idéia é juntar força dos países no mesmo nível de desenvolvimento para melhor enfrentar as negociações com os Estados Unidos e União Européia.

“Queremos ganhar o jogo e este jogo é pesado”, disse Lula. “Ninguém vai ter dó de nós. Queremos ter uma política externa como nos EUA, que lute pelos nossos interesses, como eles fazem com os interesses deles”, resumiu o presidente. Seguindo esta política, Lula visita em novembro cinco países da África e, em dezembro, sete países do Oriente Médio.

O governante também falou sobre o programa Fome Zero, que visa a garantir comida para 44 milhões de brasileiros com renda diária inferior a um dólar. O presidente disse estar otimista com relação às mudanças no Brasil. “As coisas estão começando a andar do jeito que queremos no Brasil. Nos nove meses de governo, aprendi que o processo de transformação é difícil, mas apesar disso levanto a cada dia mais otimista: não há manchete negativa de jornal que me faça perder o otimismo. Acredito no que estou fazendo, acredito na minha equipe e na capacidade do povo brasileiro”, completou.

Após a reunião com os estudantes, o presidente brasileiro, juntamente com seu colega cubano, Fidel Castro, participou do Encontro Empresarial Cuba-Brasil. A presença do comandante Fidel na reunião com empresários foi uma demonstração simbólica dos novos tempos em Cuba. O próprio Fidel, que nunca antes havia participado de encontro com empresários, ao falar admitiu: “Tudo isto é muito novo para mim”. Como resultado do encontro foram fechados vários acordos e selada a criação de algumas joint-ventures nas áreas de petróleo, álcool, açúcar, turismo, hotelaria, sucos, infra-estrutura e saúde.

No encontro, Lula esteve acompanhado por ministros e congressistas integrantes da delegação com a qual viajou para Nova York para participar da sessão da Assembléia Geral das Nações Unidas, de onde foi para o México e, agora, para Cuba.

O presidente Lula abriu espaço em sua agenda para receber Maria Gilza Hilel, brasileira, mãe do também brasileiro Paulo Hilel, que está preso em Cuba acusado de viabilizar fuga de cubanos para os Estados Unidos. E também o cardeal de Havana, Dom Jaime Ortega, defensor dos direitos humanos em Cuba.

No fim do encontro, o ex-líder sindical brasileiro e seu anfitrião e antigo amigo, Fidel Castro, renderam um tributo ao herói nacional cubano José Martí com uma oferenda de flores no monumento em homenagem ao líder, na Praça da Revolução, em Havana.