Lula avaliza Palocci e critica a oposição

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Publicado quinta-feira, 24 de novembro de 2005 as 12:11, por: cdb

Em entrevista concedida, na manhã desta quinta-feira, às rádios Capital AM (SP), Tupi (SP), Globo (RJ) e Tupi (RJ), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse acreditar que o Brasil encontrou o caminho do desenvolvimento duradouro. Ele afirmou aos comunicadores que governo está “consolidando uma perspectiva de tratar as questões econômicas com seriedade”. Ele aproveitou o momento para criticar Garotinho e Cesar Maia, opositores que, segundo as pesquisas, poderiam competir com ele nas eleições do ano que vem.

Ele abordou temas delicados como o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, o qual julga ter sido um “crime comum” e aproveitou para fazer uma nova defesa do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. O presidente também afirmou que o governo tem feito “um jogo” bom para o país. Ele lembrou que a política adotada está permitindo o aumento das exportações e do mercado interno e o crescimento econômico com inflação baixa.

Para o presidente, o assassinato do ex-prefeito de Santo André (SP) Celso Daniel não teve motivação política.

– Tenho a convicção de que a morte do Celso Daniel foi um acidente e foi um crime comum. Não acredito em crime político em hipótese alguma – afirmou.

Para o presidente, Celso Daniel foi o melhor administrador público do país e sua morte tem sido usada politicamente pelo Ministério Público:

– Lamentavelmente, uma parte do Ministério Público de São Paulo, toda vez que vai chegando a eleição, levanta esse caso.

Lula disse que baseia sua convicção no resultado das investigações da Polícia Federal e da Polícia Civil de São Paulo. Ele destacou que na época do assassinato não estava no governo e que solicitou ao então presidente Fernando Henrique Cardoso para que a PF investigasse o caso. Mas Lula não descartou a possibilidade de mudanças no resultado das apurações. “Se amanhã descobrirem que não foi crime comum, todos nós vamos mudar nossa versão, mas o que eu tenho agora é o resultado final da Polícia Civil e da Polícia Federal”.

Defesa enérgica

Na entrevista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a assegurar que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, permanecerá no cargo. Ele elogiou o desempenho do ministro.

– O Palocci é uma figura extremamente importante nesse momento político e econômico do Brasil. O Palocci foi convidado por mim, continuará e será o meu ministro da Fazenda. Isso não tem discussão, especulação. Quem quiser especular que vá para a Bolsa de Valores, não faça isso com o nome de ministros – afirmou.

Segundo o presidente, Palocci é um homem “calculista” que transmite para os investidores tranqüilidade em relação à condução econômica.

– O Palocci é um homem de uma competência acima da média das pessoas que já passaram pela Fazenda no Brasil – disse.

Sobre as recentes críticas da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à política de ajuste fiscal, Lula afirmou que as divergências são saudáveis, mas que deveriam ocorrer internamente.

– Gostaria que eles (ministros) debatessem entre eles e que só fosse para a imprensa o resultado final que é isso que interessa ao povo brasileiro – explicou.

Pesadelo

Ao ser questionado pelo radialista Gil Gomes, da Rádio Tupi (RJ), se tem pesadelos com o empresário Marcos Valério ou ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), Delúbio Soares, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu que não tem pesadelos.

– Eu não tenho pesadelo. Eu tenho muitas mais razões para sonhar coisas boas do que para ter pesadelos – disse. Lula afirmou também que levanta cada dia pensando que será melhor que o anterior.

Valério e Delúbio são os principais envolvidos em denúncias de corrupção investigadas nas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) no Congresso Nacional. Lula concede neste momento entrevista, no Palácio do Planalto, às rádios Capital AM (SP), Tupi (SP), Globo (RJ) e T