Lula admite erros no Bolsa Família e elogia imprensa

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Publicado quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005 as 19:16, por: cdb

Em cerimônia do Bolsa Família nesta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu que o programa tem imperfeições e cobrou seriedade na aplicação dos recursos. Ele também elogiou a imprensa, que vem apontando irregularidades nas ações sociais.

– Lógico que quando nós criamos um programa como esse, pode ter equívocos, pode ter erros – disse Lula ao participar do cadastramento de 10 mil famílias de Guarulhos no Bolsa Família.

Ele explicou que o programa é apenas uma ajuda inicial às famílias.

– Na verdade, o que nós estamos dando é uma isca para a pessoa colocar no anzol e pegar um grande peixe, porque o desejo é que todo mundo, depois, saiba pescar.

O presidente admitiu o incômodo com as denúncias da imprensa, mas reconheceu sua importância.

– Eu quero fazer justiça, meu companheiro Patrus (Ananias, ministro do Desenvolvimento Social), meu companheiro Eloi (Pietá, prefeito de Guarulhos), e agradecer o comportamento da imprensa brasileira –  afirmou, dirigindo-se às autoridades.

Ele citou reportagens que apontam beneficiários do Bolsa Família que têm renda acima da desejada pelo programa.

– Muitas vezes, a imprensa mostra isso para a população e muitas vezes nós ficamos zangados e chateados. Mas eu penso que a imprensa está cumprindo o seu papel de informar a sociedade e, ao mesmo tempo, alertar o governo de que nós precisamos agir.

Para mostrar que o governo está agindo, dirigiu-se ao ministro Patrus e destacou acordo recente de sua pasta com o Ministério Público e a Controladoria Geral da União que tem por finalidade exigir “maior seriedade no cadastramento das pessoas”.

– Só pode receber o Bolsa Família, quem realmente precisa do Bolsa Família, quem não precisa tem que dar o lugar para outra pessoa receber –  Ele também conclamou a população a denunciar falhas no programa.

O presidente defendeu ainda investimentos em políticas sociais para combater a criminalidade.

– O que nós gastamos com o Bolsa Família, o que nós gastamos com os programas sociais brasileiros, tudo junto, é mais barato do que o que Estado brasileiro gasta com um preso –  disse Lula.

O presidente argumentou que o dinheiro gasto com criminosos que exigem carro-forte, helicópteros e inúmeros policiais para mantê-los presos seria suficiente para atender de dez a 15 famílias no programa. Cada uma recebe, em média, 80 reais e o programa é dirigido a famílias com renda per capita de até 100 reais.

Ele voltou a mencionar a importância da estrutura familiar para a formação do ser humano.

– Porque tem palavras-chave que não estão no manual da polícia, não estão no manual daqueles que são carcereiros da Febem, palavras chamadas amor, paciência e carinho.

O programa atingiu 23 mil famílias em Guarulhos, município de 1,2 milhão de habitantes governado pelo PT. No cartaz do evento, no entanto, o número era bem maior: 34.759, já que previa novos ingressos.

Em todo o país, a meta do Bolsa Família é atingir 8,7 milhões de benefícios este ano, frente aos 6,5 milhões atuais.

O presidente visitou ainda em Guarulhos as obras de um hospital que será inaugurado em dezembro e de um conjunto habitacional popular, com entrega marcada para março. No local, comparou seu mandato a um jogo de futebol e disse que, em 2003, quando assumiu, herdou um país atingido por um vendaval.

– É como se fosse um jogo de futebol. Fomos para o vestiário, que é o Natal, e agora começa o segundo tempo. Um segundo tempo muito mais promissor do que primeiro. Nós sofremos muito em 2003. Eu peguei a casa depois daquele vendaval, como aquele da Ásia. Tivemos que consertar – afirmou, referindo-se ao tsunami que atingiu a Ásia em dezembro.