Lula acusa imprensa brasileira de deturpar proposta sobre IR

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Publicado sábado, 27 de abril de 2002 as 20:30, por: cdb

O candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, expressou indignação com o enfoque dado pela imprensa à sua proposta de uma nova alíquota do Imposto de Renda (IR) os mais brasileiros mais ricos. Lula acusou a imprensa de “má fé”, por ter destacado apenas a taxação de 50 por cento, e não que a escala seria progressiva, começando com cinco por cento. A proposta, apresentada na última quinta-feira, acabou servindo de munição para os principais adversários políticos do petista, como o ex-ministro José Serra e o ex-governador Anthony Garotinho.

“A imprensa poderia ter divulgado que Lula estava propondo uma alíquota que devia começar com cinco por cento, que Lula tinha proposto diminuir as alíquotas de quem ganha menos. Só posso explicar a polêmica criada com essa notícia como má fé de quem fez a manchete”, reagiu Lula, durante visita a Garanhuns, em Pernambuco.

Segundo Lula, a revisão da política tributária será uma de suas prioridades, caso eleito, porque sua plataforma está calcada na justiça social. “O povo está cansado de pagar tanto imposto e não é justo que quem ganha R$ 2 mil ou R$ 3 mil por mês pague a mesma alíquota (27,5 por cento) de quem ganha R$ 100 mil”, alegou. Atualmente, a alíquota máxima do Imposto de Renda é de 27,5 por cento para qualquer pessoa que tenha rendimento mensal superior a R$ 2.115,00.

Garotinho, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), classificou a proposta de Lula como “descabida”. “Parece que ele está falando de outro país, de outro mundo. Enquanto todos discutem a necessidade de se reduzir a excessiva carga tributária do país, o candidato do PT propõe algo que irá massacrar ainda mais o contribuinte brasileiro, especialmente a classe média”, comentou.

Serra, pré-candidato do Partido da Social Democracia Brasileira, do presidente Fernando Henrique Cardoso, disse que o aumento da alíquota estimularia a sonegação. “A base da tributação é modestíssima. Isso não vai resolver o problema fiscal”, analisou.