Lula aceita missão para facilitar negociações com os europeus

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Publicado sexta-feira, 31 de janeiro de 2003 as 22:01, por: cdb

O comissário de Comércio da Comunidade Européia, Pascal Lamy, pediu hoje ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que aproveite a credibilidade conquistada na União Européia para fortalecer o Mercosul e defender a abertura de mercados europeus para os países do bloco do Cone Sul.

Segundo o porta-voz da Presidência, André Singer, Lamy considera importante para facilitar seu trabalho junto aos ministros europeus que “o presidente Lula em determinados momentos específicos intervenha, junto aos mandatários europeus, no sentido de facilitar determinadas negociações”. Lula, animado com a visita, disse que aceita a missão.

O presidente brasileiro também fez um pedido especial ao ministro europeu: ele quer que Lamy intervenha junto aos colegas europeus para que a abertura de mercado do velho continente aos produtos de países em desenvolvimento, como o Brasil, seja uma realidade.

Lamy reconheceu que, mais cedo ou mais tarde, a Europa terá que abandonar a tradicional postura protecionista para abrir seus portos para outros países.

“Sei que em algum momento a União Européia terá que fazer concessões que serão naturalmente proporcionais às concessões dadas do lado do Mercosul. Sem esquecer que a Europa é mais rica que o Mercosul”, disse.

Lula ainda cobrou do comissário europeu mais colaboração dos países ricos para ajudar os países em desenvolvimento, apesar de reconhecer que nações como o Brasil também têm um papel a cumprir.

“Neste sentido nós concordamos plenamente, ou seja: precisamos ter uma relação adulta e estável entre Mercosul e Europa. Juntos podemos fazer muito mais para países em desenvolvimento. Foi muito bom ouvir isso de Lula”, resumiu.

Questionado se esta liberalização do comércio significaria mudança da postura européia no setor agrícola, Lamy desconversou. Disse que o encontro de hoje não foi uma negociação, mas que ao conversar com os ministros do governo Lula teve a certeza de que o assunto não poderá ficar de fora da pauta de negociações entre os dois blocos.

Ele garantiu que as concessões no setor agrícola poderão ser feitas “dependendo dos avanços proporcionados pelo Mercosul em outras áreas”. Uma lição ficou para o europeu depois da conversa: o governo Lula considera o fortalecimento do Mercosul e sua aproximação com a União Européia uma prioridade.

Lamy ainda deixou escapar que está confiante no governo em razão do bom começo de seus trabalhos.

“Minha impressão é de que as coisas estão funcionando e o enorme êxito do presidente Lula na Europa é um sinal claro deste fato”, disse.

Segundo Lamy, já é possível notar uma mudança na tônica do novo governo em relação ao comércio internacional. “O que tanto o presidente quanto os ministros me disseram foi que a posição do Brasil seria mais ativa neste campo. Foi uma mensagem muito clara”, ressaltou.