Longas filas e problemas com urnas marcam as eleições

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Publicado domingo, 6 de outubro de 2002 as 23:45, por: cdb

Os brasileiros acudiram em massa às urnas, neste domingo, formando longas filas em boa parte das seções eleitorais para participar das maiores eleições na história do país. Em alguns centros de votação, houve registro de problemas com as urnas eletrônicas.

Mais de 115 milhões de pessoas estavam registradas para votar em 18.880 candidatos e escolher o presidente da República, senadores, deputados federais, governadores de estados e deputados estaduais.

Em São Bernardo do Campo, uma multidão aplaudiu Luiz Inácio Lula da Silva, o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) que aparece como o favorito nas pesquisas de opinião.

“Se ele governar o país como dirigiu o sindicato (dos metalúrgicos) vai ser um ótimo presidente”, disse um dos eleitores do petista, o ex-metalúrgico João de Oliveira.

Em São Paulo, José Serra, o candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), também foi aplaudido ao votar, numa escola da zona oeste da cidade.

Eleitores do candidato governista na capital paulista criticaram Lula.

“Eu não gosto do PT”, disse Maria Lúcia Diniz. “Lula pode ser o melhor homem do mundo, mas não tem idéias; eu acho que ele seria um desastre para o Brasil”.

O marido da eleitora, José Celso Diniz, usou um tom mais moderado.

“Não acho que será um desastre. Mas tivemos oito anos de sacrifício para ajustar a economia; agora, vamos jogar isso pela janela”, disse. “Só depois eles vão se dar conta do que fizeram”.

Perto deles, o engenheiro civil Paulo Muniz disse que os brasileiros esperavam “grandes mudanças na economia” e que votaria no candidato do Partido Popular Socialista (PPS), Ciro Gomes.

“O PSDB não deve voltar mais ao poder”, afirmou.

Ciro acompanhou sua mulher, a atriz Patrícia Pillar, para que esta votasse no Rio de Janeiro. Em seguida, o candidato embarcou para o Ceará, onde votou à tarde em Fortaleza.

Em Campos, no norte do estado do Rio de Janeiro, o candidato do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Anthony Garotinho, votou em uma escola, onde foi também ovacionado.

Garotinho, que foi prefeito da cidade antes de se tornar governador do Rio de Janeiro, seguiu para a capital depois da votação a fim de acompanhar a apuração, logo mais, de seu escritório.

Rio vota sob forte esquema de segurança

No Rio de Janeiro, soldados do Exército, usando uniformes de camuflagem, ajudaram a Polícia Federal e a polícia do estado a patrulhar a cidade, como parte da intensificação de um esquema na cidade para garantir a segurança das eleições.

O pedido de tropas federais havia sido feito pela governadora Benedita da Silva, que afirmou ter recebido informações de que traficantes de drogas tentariam prejudicar o processo eleitoral.

Outros 10 estados também pediram tropas federais para garantir a segurança no pleito.

No bairro do Catete, no centro da capital carioca, dezenas de soldados, fortemente armados, tomaram posições perto de seções eleitorais, enquanto crianças brincavam nas imediações.

“Nós recebemos ordens para não conversar com ninguém”, disse um dos soldados. “Nós só temos que nos certificar de que tudo está sob controle”.

Muitos moradores elogiaram a presença dos soldados.

“Eu espero que fiquem depois das eleições, também”, disse Gláucia Ribeiro, de 53 anos. “As ruas estão seguras, hoje”.

Na favela da Rocinha, uma das maiores da cidade, pelo menos 30 soldados vigiaram a principal entrada do local, enquanto centenas de eleitores faziam fila para votar.

“Até agora está tudo calmo”, disse um dos soldados.

Nos bairros mais pobres, nos subúrbios da cidade, helicópteros da polícia ajudaram a patrulhar as áreas consideradas de maior risco.

Apesar das ameaças à segurança no Rio de Janeiro e em outros 10 estados, as autoridades disseram esperar uma das eleições mais tranqüilas e mais limpas da história do país.