Livro conta trajetória do cinema brasileiro

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Publicado quarta-feira, 14 de abril de 2004 as 09:31, por: cdb

Quem vem acompanhando o cinema brasileiro pela imprensa há pelo menos uns 15 anos, já se deparou algumas vezes com manchetes que decretavam seu fim. Coerentes ou não, jornalistas nunca se cansaram de matar nosso cinema que, felizmente, insiste em não morrer. Partindo desses diversos surtos, a produtora Isabela Nicolas resolveu sair em campo para contar a história do cinema brasileiro e chegou a seguinte conclusão em relação a vitalidade do nosso cinema: “Não diria que morre e renasce, mas que hiberna e volta cada vez mais interessante”.
 
O resultado em mais de três anos de pesquisa foi O Cinema Brasileiro do Século XX, um livro fotográfico que conta a trajetória do cinema brasileiro a partir de depoimentos de quem o fez: produtores, diretores, atores, fotógrafos, estudiosos e agregados. Os 68 entrevistados deram depoimentos filmados que somam mais de 30 horas e cujas fitas esperam patrocínio para que possam resultar em um documentário para a TV.
 
Entre os entrevistados, uma seleção atípica de pessoas pouco conhecidas do grande público: o montador Mauro Alice, o crítico José Carlos Monteiro (jovens críticos desconhecem sua aparência) e o publicitário Lula Vieira (da época da Embrafilme). Outros que faleceram durante o processo deixaram depoimentos memoráveis como Cyl Farney e Rogério Sganzerla – este fala incansavelmente por 45 minutos, em um relato apaixonante, sobre ditadura, AI-5 e sua obra-prima, O Bandido da Luz Vermelha.     
 
Se não deu para pegar o depoimento de todos que contribuíram em diversos momentos para a sétima arte tupiniquim, Cinema Brasileiro do Século XX pelo menos arrisca em buscar os diversos lados dessa indústria. Basta comparar os comentários de um ex-galã como Carlo Mossy com os de um em plena vitalidade, como Rodrigo Santoro. Ou de diretores que retrataram diferentes classes sociais, como Nelson Pereira dos Santos em seus filmes de estréia, e Murilo Salles atualmente. Enquanto isso, o cinema brasileiro vai bem, vivendo, e Cinema Brasileiro do Século XX, que tem previsão de lançamento em junho, é uma grande prova de seu fôlego. Isabela aponta o que faltou nessas décadas de século XX:  
 
– Faltou mais anos para o cinema brasileiro se expressar melhor, faltou democracia, mas sobrou criatividade, vontade de fazer, sonhos pessoais e coletivos. O Brasil é um baú de personagens, argumentos, histórias e cenários, que tem muito ainda a emprestar para o cinema. Basta à história entender e permitir que ele se conte.