Líderes mundiais aguardam as próximas decisões sobre Iraque

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Publicado terça-feira, 28 de janeiro de 2003 as 15:35, por: cdb

Líderes mundiais, indo desde governantes de países árabes até a Oceania e a América do Sul, reagiram nesta terça-feira com apelos por cautela, mas também com condenações, ao relatório sobre o Iraque que o inspetor-chefe das Nações Unidas Hans Blix havia apresentado ao Conselho de Segurança, na véspera.

O Kuwait – o principal aliado dos Estados Unidos na região do Golfo Pérsico e o país invadido por Saddam Hussein em 1990 – saudou o teor do relatório, o classificando de “justo”.

“Há muitos pontos que ainda precisamos saber sobre a questão química, especialmente, e que o Iraque não esclareceu”, disse o ministro kuwaitiano da Informação, xeque Ahmad al-Fahd al-Sabah.

Mas a Arábia Saudita, outro grande aliado dos norte-americanos, mantiveram silêncio.

Blix havia dito na ONU que o Iraque tem cooperado no processo das inspeções, mas não colaborou plenamente no que se refere à substância de seus banidos programas de armas.

Em Paris, o ministro das Relações Exteriores da França, Dominique de Villepin, exortou os Estados Unidos a continuar a trabalhar com outros membros do Conselho de Segurança em políticas sobre o Iraque e reiterou a oposição de seu país a uma operação militar unilateral contra o país árabe.

“Nós temos que trabalhar juntos na estrutura mais adequada – o Conselho de Segurança das Nações Unidas”, disse De Villepin em entrevista à emissora de televisão France 2.

A Grã-Bretanha e a Austrália condenaram o presidente iraquiano Saddam Hussein por ter supostamente falhado na cooperação e afirmaram que o tempo para a ação está mais próximo.

Mas a Rússia e a China – que têm poder de veto no Conselho de Segurança, assim como França, Grã-Bretanha e EUA – declararam que as inspeções deveriam continuar por mais algumas semanas, se não meses.

Protestos nas ruas do Oriente Médio
Em países do Oriente Médio, milhares de pessoas saíram às ruas para protestar ante a perspectiva de uma guerra ao Iraque, liderada pelos Estados Unidos.

No Iêmen, autoridades da segurança disseram que dezenas de milhares de pessoas convergiram para o centro da capital, Sana’a, onde foram queimadas bandeiras norte-americanas e de Israel.

“A guerra sionista-norte-americana e britânica é por causa de petróleo”, disse o presidente do Parlamento iemenita e líder do Partido da Reforma Islâmica, Abdallah al-Ahmar. “É o petróleo que faz com que esses vampiros salivem”.

Manifestações de protesto contra a guerra ocorreram também na Síria, no Egito, no Sudão e em Barein, ainda na segunda-feira.

No Líbano, manifestantes protestaram pacificamente diante da embaixada dos Estados Unidos.

Enquanto Blix e o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), Mohamed ElBardei, liam seus relatórios na ONU, cerca de 300 manifestantes em frente à sede da organização, em Nova York, contra uma possível guerra.

Na Alemanha, cerca de três mil pessoas protestaram em frente ao consulado dos Estados Unidos em Frankfurt. Outra manifestação reuniu centenas no centro de Dresden e em Berlim.

Mais reações
No Japão, a ministra das Relações Exteriores Yoriko Kawaguchi disse que o Iraque usou armas químicas no passado e, por isso, deve convencer o mundo de que não representaria mais uma ameaça.

“O ônus da prova cabe ao Iraque, mas o país não forneceu uma explicação convincente”, acrescentou. “O Iraque precisa responder de forma mais convincente”.

Na Indonésia, a maior nação muçulmana, Marty Natalegawa, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, advertiu os Estados Unidos e seus aliados para não usar o relatório como base para um ataque contra o Iraque.

“Nós somos da posição de que a equipe de inspeção da ONU deve ter permissão para terminar seu trabalho”, acrescentou. “Esperamos que seja esse o caso e que nenhum passo unilateral seja tomado fora dos confins do sistema da ONU”.

O governo da Índia, por sua vez, exortou os Estados Unidos a demonstrar moderação e a resolver a questão iraquiana de f