Líderes do Hamas e do Fatah assinam acordo para governo de unidade

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007 as 20:59, por: cdb

Líderes do Hamas e do Fatah assinaram um acordo nesta quinta-feira para formar um governo de unidade nacional em uma cerimônia na cidade saudita de Meca, informaram fontes oficiais. A assinatura do acordo ocorreu após uma reunião entre o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas (Fatah), e, da parte do Hamas, o primeiro-ministro Ismail Hanyah e o líder do grupo, Khaled Meshaal.

Os representantes das facções rivais aceitaram o convite saudita para sediar uma reunião entre eles depois de semanas de violentos confrontos entre seus militantes.

Estima-se que mais de 90 pessoas tenham morrido em choques ocorridos desde dezembro, depois de diversas tentativas fracassadas de trégua entre os dois lados. Khaled Meshaal se referiu ao período dos confrontos como “dias negros” e disse que não haverá mais violência.

– É a nossa vez de fazer este acordo funcionar e se manter, para construir a nossa casa palestina em cima de fundações fortes -, afirmou o líder do Hamas.

O Hamas e o Fatah estão envolvidos em uma disputa de poder desde que o Hamas venceu as eleições parlamentares, em janeiro do ano passado. As principais divergências entre os dois grupos giravam em torno de cargos no governo e da relação com Israel.

O Hamas prega a destruição do Estado israelense enquanto o Fatah defende negociações com o país. Durante o ato de assinatura, Abbas fez um apelo para que o novo governo respeite os acordos assinados com Israel.

Desde a vitória do Hamas nas urnas, os palestinos enfrentam sanções de Estados Unidos e
União Européia, entre outros governos que exigem que o grupo reconheça Israel e renuncie à violência.

Fontes palestinas disseram à agência de notícias Reuters que o Hamas estaria disposto a “respeitar” os acordos com Israel desde que eles não fossem contra os interesses palestinos.

Não há informações, no entanto, de que o texto do acordo faça referência ao reconhecimento de Israel pelo grupo.

Antes de assinar o acordo, os dois grupos acertaram quem ficaria com a maioria dos postos no governo. Foi decidido que Haniya permanecerá como primeiro-ministro.

O cargo de ministro do Interior, que controla as forças de segurança palestinas, deverá ser ocupado por um candidato apoiado pelos dois grupos.