Líderes das centrais sindicais falam em “provocação” de Passos Coelho

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Publicado segunda-feira, 5 de setembro de 2011 as 10:38, por: cdb

João Proença (UGT) e Carvalho da Silva (CGTP) comentaram as palavras do Primeiro-Ministro sobre a hipótese de tumultos sociais, considerando que são uma provocação. Questionado sobre o mesmo assunto, Francisco Louçã apelou ao protesto dizendo que “o país está a ser incendiado por políticas erradas”.Artigo |5 Setembro, 2011 – 16:24Manifestação da “Geração à Rasca”, 12 de Março de 2011. Foto de Paulete Matos.

Ao prometer mão-de-ferro perante tumultos sociais no país, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, está a contribuir para um ambiente de alarme social, criticou João Proença em declarações à TSF. Também Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP, considerou uma provocação as palavras do primeiro-ministro e avisou que o “tiro pode sair pela culatra”.

O líder da UGT condenou o que classificou de discurso intimidatório por parte do chefe de Governo que deve estar preparado para a contestação. “É fundamental que se respeite as liberdades consagradas na Constituição, mas também criar condições para que não haja agitação social, descontentamento. É evidente que estamos num período de crise, em que é muito importante que o sacrifício seja gerido de forma equilibrada”, destacou João Proença.

“E é importante também que os portugueses comecem a ter esperança e não estarmos constantemente com discursos intimidatórios e que aumentam a insegurança das pessoas e que acaba por criar um clima de alarme social”, frisou.

Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP, considerou uma provocação as palavras do primeiro-ministro e avisou que o “tiro pode sair pela culatra”. “Isto mostra uma falta de segurança muito grande por parte do primeiro-ministro em relação às políticas que está a seguir e é, por isso, um indicador da ausência de rumo e de uma política que possa tirar o país do buraco em que se encontra”, considerou.

“Claro que estas afirmações do primeiro-ministro são uma clara tentativa de provocar as pessoas, quem neste momento está descontente, e tentar chutar para o lado a responsabilidade. Portanto, essa tentativa de provocar e incendiar pode sair-lhe o ‘tiro pela culatra’”, alertou Carvalho da Silva.

Recorde-se que a CGTP tem agendada para o próximo dia 1 de Outubro uma manifestação contra o empobrecimento e as injustiças sociais e que para este sábado está convocado um protesto de professores. No dia 15 de Outubro, as gerações precárias sairão, com a democracia, à rua.

“O país a manifestar-se é sinal de maturidade democrática”

O Coordenador da Comissão Politica do Bloco, Francisco Louçã, disse, em declarações à TVI, que é o Governo que está a ter uma atitude incendiária em relação aos portugueses.

“O país está a ser incendiado, de uma forma gelada, por políticas que não servem para nada, não criam um único emprego e não nos tiram da crise”, afirmou. Para Louçã, “o país a manifestar-se é sinal de maturidade democrática” e por isso sublinha a “coragem democrática” do protesto social.

Num claro apelo à manifestação, o dirigente bloquista afirmou que as vozes de quem quer uma tributação mais justa, combater o desemprego e a precariedade têm de ser ouvidas “contra os incendiários que só aumentam impostos”.