Líbia: tirar adversário para montar governo amigo

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Publicado terça-feira, 29 de março de 2011 as 16:35, por: cdb

Navio de guerra da OTAN 

 

A mídia pode gastar tinta e papel, páginas e páginas de jornais e revistas, as emissoras de rádio e TV dedicarem horas ao noticiário, e a Internet ficar abarrotada de notícias dando conta do contrário, mas o que estamos assistindo de fato na Líbia é a repetição da intervenção, pura e simples, de potências militares em um conflito civil num país soberano a pretexto de defender os direitos humanos.

Os pretextos mudam só nas definições mentirosas, mas são isso – mero pretexto para tomar partido em guerras civis, derrubar adversários para instalar governos amigos e se apoderar da economia ou dos recursos naturais de países, como aconteceu à exaustão na America Latina.

É a repetição do que houve, no passado, de parte dos Estados Unidos, como nos governos Ronald Reagan num pequeno país, Granada, e Lindon Johnson na República Dominicana. Nesta, em 1965, a razão alegada era a defesa da vida de civis norte-americanos e desta intervenção, infelizmente, o Brasil participou até com tropas enviadas, pelo então presidente-marechal Castelo Branco.

Resolução não fala em derrubar Kaddhafi

Na Líbia, agora, a resolução 1973 aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas não falava em derrubar o presidente Muamar Kaddhafi, ou em apoiar os insurgentes e rebeldes, mas em defesa da população civil, indefesa e inocente, agora vítima dos covardes e brutais ataques de aviões da França e da Grã-Bretanha.

O argumento irrefutável era que Kaddhafi com sua aviação ia bombardear Bengazi, uma cidade indefesa e aberta, apresentada como fortaleza dos rebeldes. Mas, agora, a aviação do governo e suas defesas antiaéreas estão destruídas, e a capital líbia, Trípoli, tão aberta e indefesa quanto Bengazi, é castigada diariamente por ataques aéreos sob a coordenação da OTAN.

Daí, o justo protesto do representante da Rússia na ONU e de seu governo, via Ministério das Relações Exteriores, exigindo o estrito cumprimento da resolução da ONU. Mais grave, ainda, é a omissão, cumplicidade e a intervenção militar e política aberta dos EUA e das monarquias ditatoriais do Golfo Pérsico para apoiar governos como os do Bahrein e Iêmen.

Na Líbia, se sobrar país…

Em nome do que? Agora, no Bahrein e no Iêmen, em nome da “luta” contra o terrorismo e a Al Qaeda, da estabilidade da região – e não em nome do que realmente causa as intervenções e invasões, a defesa dos governos amigos e do acesso seguro, barato e fácil ao petróleo.

Na Líbia como aconteceu no Iraque, quando a guerra acabar, se sobrar país e se ela não se desintegrar – como a Somália – empresas norte-americanas dominarão a economia e o petróleo e um governo amigo estará instalado em Trípoli. Haja hipocrisia e covardia naqueles que apóiam semelhante fraude histórica.

 

Foto: site da OTAN