Líbia acusa EUA, França e Reino Unido de violar cessar-fogo

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Publicado segunda-feira, 21 de março de 2011 as 14:10, por: cdb

Os ataques aéreos podem ter causado a morte de 90 pessoas

 

 

21/03/2011

Da redação

 

 

O governo da Líbia acusou, nesta segunda-feira (21), os rebeldes e as forças comandadas por Estados Unidos, França e Reino Unido de violar o cessar-fogo anunciado por oficiais e pelas Forças Armadas do país africano, segundo informações de meios locais.

Na noite de domingo (20), autoridades líbias votaram pela resolução pacífica da crise enfrentada pelo país há mais de um mês e o cessar-fogo para proteger a independência da nação e evitar uma intervenção estrangeira.

O segundo anúncio de cessar-fogo foi feito um dia depois do início da França, em conjunto com Estados Unidos, Reino Unido e outros países, iniciar um ataque contra a Líbia. O objetivo da coalizão estrangeira é impor a resolução da Organização das Nações Unidas que estabeleceu uma zona de exclusão aérea na Líbia, para proteger civis opositores de bombardeios do governo.

“As outras partes não respeitaram o cessar-fogo. As bombas e os mísseis seguem caindo sobre a Líbia. As bombas e os mísseis dos agressores causaram a morte de dezenas de civis”, asseguraram fontes do governo líbio à agência de notícias estatal Jana. Os ataques aéreos da coalizão, segundo a televisão nacional, podem ter causado a morte de 90 pessoas, além de 200 feridos.

Um dos alvos dos bombardeios da coalizão foi um edifício dentro do complexo em Trípoli onde vive o líder líbio Muamar Khadafi na capital, Trípoli. O local foi destruído por um míssel e, até o momento, não há informações sobre vítimas. Segundo a coalizão, o edifício de quatro andares seria usado como centro de comando das forças leais a Khadafi.

O secretário de Defesa britânico, Liam Fox, admitiu no mesmo dia que o ataque a Khadafi era “potencialmente uma possibilidade”. O chefe do gabinete de Defesa britânico, David Richards, no entanto, afirmou nesta segunda-feira que Khadafi ”absolutamente não” é um alvo, uma vez que atacar o coronel diretamente ”não seria permitido dentro da resolução da ONU”.

Em resposta à ação militar, Khadafi convocou, segundo a agência Jana, uma marcha de seus apoiadores em Benghazi.

 

Protestos

Em Trípoli, há protestos de partidários de Khadafi contra a intervenção estrangeira. São civis desarmados, segurando bandeiras e tentando formar uma espécie de escudo humano, segundo relatos do correspondente da Telesur em Trípoli. |A “televisão estatal líbia tem câmeras [monitorando] a residência de Khadafi e a Praça Verde, e menciona constantes manifestações de partidários do governo”, descreveu a reportagem.

Os ataques também foram condenados no domingo pela Liga Árabe. Em entrevista à agência egípcia Mena, o secretário-geral da organização, Amro Musa, disse estar “surpreso” com a intensidade dos bombardeios da coalizão contra o território líbio e considerou que os ataques “excedem o mandado aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU para manter uma zona de exclusão área”.

Países como Venezuela, Brasil, Argentina e Bolívia também se manifestaram contra as ações da coalizão, enquanto que a União Africana (UA) fez um chamado para o “fim imediato da violência” e pela busca de uma solução pacífica e democrática para o conflito.

 

(Com informações de agências)