Líbano vive crise política após renúncia de ministro pró-sírio

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Publicado segunda-feira, 13 de novembro de 2006 as 13:08, por: cdb

A crise política libanesa se agravou nesta segunda-feira, com a demissão do último ministro pró-sírio, pouco antes de o gabinete discutir a criação de um tribunal especial para julgar os suspeitos pelo homicídio de um ex-primeiro-ministro. O ministro libanês do Meio Ambiente, Yacoub Sarraf, ligado ao presidente pró-sírio do Líbano, Emile Lahoud, deixou o governo depois da demissão de cinco ministros xiitas do grupo Hezbollah e de seu aliado, o movimento Amal, por não conseguirem um efetivo poder de veto dentro do governo de coalizão.

A maioria anti-síria acusa o Hezbollah de implementar um plano sírio-iraniano para derrubar o governo, apoiado pelo Ocidente, e impedir a criação do tribunal que julgaria os assassinos do ex-primeiro-ministro Rafik Al Hariri.

– Não posso me ver como parte de uma autoridade constitucional que carece de representatividade para toda uma seita religiosa, e por meio desta apresento minha renúncia do governo – disse o cristão Sarraf em carta ao primeiro-ministro Fouad Siniora.

Lahoud se opôs à reunião ministerial de segunda-feira, dizendo que ela seria inconstitucional depois das demissões. Siniora minimizou as objeções do presidente e disse que a reunião seria mantida.

– O complô oculto foi revelado. É um complô sírio-iraniano para lançar um golpe contra a legitimidade, impedir o estabelecimento de um tribunal internacional e prejudicar a resolução 1701 (da ONU, que encerrou a guerra deste ano entre Israel e o Hezbollah)”, disse nota da maioria anti-síria da coalizão.

Os EUA já haviam acusado Irã, Síria e Hezbollah de tramarem contra o governo libanês, que Washington aponta como exemplo de democracia emergente no Oriente Médio. O Hezbollah diz que não pretende impedir a criação do tribunal, mas que gostaria de discutir detalhes. O grupo xiita anunciou no domingo manifestações nas ruas como parte da sua campanha por melhor representação no governo. Os líderes anti-sírios decidiram realizar contramanifestações caso o Hezbollah leve a crise para as ruas. Há temores de confrontos e violência, pois a tensão entre xiitas e sunitas já é crescente.

Muitos libaneses culpam a Síria pela morte de Hariri. Damasco nega envolvimento. O crime, em fevereiro de 2005, provocou enormes manifestações anti-sírias nas ruas do Líbano. Sob pressão libanesa e internacional, Damasco acabou encerrando 29 anos de presença militar no país vizinho. Uma comissão da ONU que investiga o atentado apontou envolvimento de altos funcionários de segurança libaneses e sírios.